Nacional

Solução para crise política: Mediadores apontam manutenção de linhas de diálogo

2015-10-05 05:04:19 (UTC+01:00)

Mediadores das negociações entre o Governo e a Renamo apontaram a manutenção das linhas diálogo como condição para que se ultrapasse a crise política e militar no país.

MAPUTO - "É necessário continuar a nutrir as linhas de diálogo e próprio Acordo de Paz", disse onte à Lusa Dinis Sengulane, bispo jubilado da igreja anglicana em Maputo, falando à margem da cerimónia da comemoração do Acordo Geral de Paz, assinado há 23 anos em Roma, encerrando uma década e meia de guerra civil.

O 23.º aniversário da assinatura do Acordo Geral de paz no país é celebrado num clima de crise política, com registo de três confrontações militares em três semanas, que levaram o líder do maior partido da oposição, Afonso Dhlakama, para parte incerta.

Para Dinis Sengulane, os últimos incidentes envolvendo o líder da Renamo mostraram que a paz ainda não foi atingida na sua plenitude e é preciso que Moçambique preste maior atenção para a existência de "grupos armados não autorizados".

"O desarmar das mãos e das mentes não se completou", alertou Dinis Sengulane, citado pela Lusa, acrescentando, no entanto, que ninguém está arrependido por ter assinado o Acordo Geral de Paz e é preciso encontrar formas de fazer com que a mensagem chegue a todos moçambicanos.

Após mais de cem rondas negociais no Centro de Conferência Joaquim Chissano, as partes não chegaram a um consenso sobre a desmilitarização do braço armado da Renamo, uma das principais cláusulas do Acordo de Cessação das Hostilidades Militares, assinado a 05 de setembro, e o partido de Afonso Dhlakama acabou por suspender as sessões de diálogo.

Outro mediador, reverendo Anastácio Chembeze disse, no entanto, que não há motivo para desespero, sustentando, sem avançar mais detalhes, que há um trabalho que está em curso para manter a linha de diálogo, elemento crucial para manutenção da paz.

"Estamos a fazer esforços para reatar o diálogo e estamos esperançados", afirmou o reverendo, acrescentando que a manutenção da paz é a condição basilar no quadro do desenvolvimento do país.

"Não há motivos para desesperos, o processo do diálogo vai continuar, mesmo que seja de forma diferenciada", declarou o reverendo, salientando que há um trabalho que está sendo feito para se reativar a linha de contacto com o líder da Renamo, que está em parte incerta.

A violência política aumentou nas últimas semanas e na sexta-feira forças de defesa e segurança e militares da Renamo voltaram a confrontar-se no distrito de Gondola, província de Manica, com as duas partes a responsabilizarem-se mutuamente pelo começo do tiroteio.[OD]