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Xonófobia: Justiça sul-africana declara dois indivíduos culpados pela morte de Sithole

2015-11-07 15:12:46 (UTC+00:00)

Um tribunal de Joanesburgo declarou hoje, dois indivíduos culpados pela morte de Emmanuel Sithole, durante a onda de violência xenófoba em Abril deste ano, na vizinha África do Sul.

MAPUTO - Segundo o canal televisivo estatal daquele país vizinho, SABC, um terceiro acusado pelo homicídio, um menor de 17 anos, foi apenas condenado por roubo e agressão.

O caso respeita à última vaga de violência na África do Sul contra estrangeiros africanos, que atingiu sobretudo as cidades de Durban e Joanesburgo.

A 18 de Abril, Emmanuel Sithole foi esfaqueado em Alexandra, onde vendia cigarros, num crime documentado pelo fotógrafo James Oatway, do sul-africano Sunday Times.

O juiz considerou ter ficado provado que Mthinto Bengu e Sifundo Mzimela tiveram a intenção de matar Sithole quando o atacaram e que o terceiro acusado não esteve directamente envolvido no homicídio.

O canal SABC descreve que, durante a leitura da condenação, Bengu e Mzimela mostravam-se sorridentes e sem qualquer sinal de remorso.

A leitura da sentença ficou marcada para 04 de Dezembro.

Para fugir dos altos índices de pobreza em Moçambique, a população, principalmente a mais jovem das zonas rurais do sul do país, emigra ilegalmente para África do sul, à procura de melhores condições de vida numa das economias mais avançadas do continente.

A última vaga de violência provocou a morte a pelo menos três moçambicanos, incluindo Sithole, e a fuga de milhares para o seu país.

Em Maio, o Presidente sul-africano, Jacob Zuma, pediu desculpa ao homólogo moçambicano, Filipe Nyusi, pela crise de violência xenófoba na África do Sul, durante um encontro em Maputo entre delegações de alto nível dos dois países.

"É importante para nós apresentar desculpas em nome da minoria que se comportou mal", declarou Jacob Zuma, antigo exilado em Moçambique no período do "apartheid" e que antes identificara a imigração ilegal como causa da violência xenófoba no seu país.

O Presidente sul-africano falava logo após a detenção e ordem de deportação de quase mil moçambicanos que se encontravam em situação ilegal no país vizinho, numa operação que apanhou a diplomacia de Maputo de surpresa. [OD]