Nacional

"As eleições não são uma propriedade dos partidos políticos" Sánchez Amor

2019-09-16 13:20:00 (UTC+01:00)

O chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia às eleições gerais de 15 de Outubro, em Moçambique, Ignacio Sánchez Amor, defende que o desfecho do escrutínio não pode condicionar a paz no país.

MAPUTO- "Quanto à mistura que, por vezes, pode haver entre o processo eleitoral e o processo político, é óbvio que a União Europeia (EU) apoia, fortemente, a pacificação do país e um bom fim para o acordo de paz de 06 de Agosto", declarou Sánchez Amor, durante uma conferência de imprensa, em Maputo.

A Renamo afirmou várias vezes que a sobrevivência do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado com o Governo a 06 de Agosto deste ano depende de eleições gerais livres, justas e transparentes.

Questionado pelos jornalistas sobre a posição da Renamo, o chefe da Missão de Observação Eleitoral da UE afirmou que o processo eleitoral não deve funcionar como moeda de troca para uma paz duradoura no país.

"As eleições são um direito do povo, não são uma propriedade dos partidos políticos e as eleições democráticas não podem ser reféns de nenhuma agenda política partidária", disse o eurodeputado espanhol.

Sánchez Amor defendeu que as instâncias judiciais devem decidir, atempadamente, sobre a investigação à polémica em torno do recenseamento eleitoral na província de Gaza, cujo registo é rejeitado pela Renamo e por organizações da sociedade civil.

"Pensamos que é muito importante, para gerar confiança no processo eleitoral, que as autoridades envolvidas na operação, principalmente, a Procuradoria-Geral da República, tomem uma decisão atempada e que dê uma resposta à inquietação que se levantou", considerou Sánchez Amor.

A Missão de Observação Eleitoral da UE às eleições gerais de 15 de Outubro distribuiu fim-de-semana 32 observadores de longo prazo pelas províncias, para contribuir para um "processo eleitoral credível, transparente e inclusivo".

No próximo dia 15 de Outubro, 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão escolher o Presidente da República, 10 governadores provinciais, 250 deputados da Assembleia da República e membros das assembleias provinciais.