Nacional

Ministro da Justiça da África do Sul avalia extradição de Chang

2020-10-30 08:36:41 (UTC+00:00)

O ministro da Justiça sul-africano já começou a considerar a decisão de extraditar o ex-ministro das Finanças de Moçambique Manuel Chang, detido há quase dois anos em Joanesburgo no chamado caso das dívidas ocultas, disse o porta-voz ministerial.

MAPUTO- "O ministro está a considerar neste momento o caso enquanto falamos, não diria exatamente quando as pessoas saberão, mas é definitivamente algo que ele está a considerar enquanto falamos", disse hoje à Lusa Chrispin Phiri.

O porta-voz sublinhou à Lusa que o ministro Ronald Lamola "está a dedicar muita consideração neste momento" à extradição de Manuel Chang, salientando que as autoridades sul-africanas estão também a processar um "pedido de assistência" submetido recentemente por via diplomática Governo moçambicano, que não especificou.

Chrispin Phiri confirmou à Lusa que o antigo ministro das Finanças de Moçambique permanece encarcerado no estabelecimento prisional de Modderbee, em Benoni, leste de Joanesburgo.

O Estado moçambicano tem tentado impedir desde 2019 na Justiça sul-africana a extradição para os Estados Unidos da América (EUA) do ex-ministro das Finanças.

Moçambique pediu a extradição de Manuel Chang através de uma nota verbal diplomática em 11 de fevereiro de 2019, mais de seis semanas depois de a Justiça norte-americana ter requerido, em 21 de dezembro de 2018, a sua detenção na África do Sul para ser extraditado para julgamento num tribunal de Nova Iorque onde se encontra formalmente acusado desde 19 de dezembro de 2018. O pedido de extradição norte-americano foi formalizado em 28 de janeiro de 2018.

Manuel Chang, que foi ministro das Finanças no segundo mandato do Presidente Armando Guebuza, entre 2010 e 2015, encontra-se detido na África do Sul desde 29 de dezembro de 2018, a pedido da Justiça dos EUA, por fraude, corrupção e lavagem de dinheiro numa burla internacional de 2,2 mil milhões de dólares, no chamado caso das "dívidas ocultas".

As "dívidas ocultas" estão relacionadas com empréstimos contraídos entre 2013 e 2014 em forma de crédito junto das filiais britânicas dos bancos de investimentos Credit Suisse e VTB da Rússia, para criar as empresas públicas Ematum, Proíndicus e MAM, de segurança marítima e pesca, à revelia da Assembleia da República e do Tribunal Administrativo de Moçambique.