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Moçambique vai receber 95 mil milhões de dólares em receitas de gás natural

2019-05-23 14:02:40 (UTC+01:00)

Moçambique deverá receber cerca de 95 mil milhões de dólares nos próximos 25 anos em receitas provenientes dos investimentos das multinacionais na exploração de gás natural, mais de sete vezes do valor do PIB actual.

MAPUTO- Os 95 mil milhões de dólares resultam da soma de 46 mil milhões de dólares de receitas do consórcio liderado pela ExxonMobil, anunciados na semana passada pelo Governo, e os 49 mil milhões de dólares que o Governo anunciou em Junho que iria receber durante a vigência dos contratos, de acordo com a agência de informação financeira Bloomberg.

Os projectos das companhias petrolíferas no Norte do país têm o potencial de transformar a economia moçambicana, tornando o país, a par do Qatar, no maior exportador de gás natural do mundo.

O país, com um PIB actual de cerca de 15 mil milhões de dólares, tem estado em negociações com os credores da dívida pública e dos empréstimos não declarados para a sua renegociação, ao mesmo tempo que avalizou a participação da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos nos consórcios de exploração de gás no país com um valor de 2,25 mil milhões de dólares.

Na semana passada, o Governo moçambicano aprovou o Plano de Desenvolvimento do projecto Rovuma LNG, liderado pelas petrolíferas Eni e ExxonMobil para explorar gás natural na zona Mamba da Área 4, ao largo da costa norte.

Trata-se do terceiro plano de exploração de gás, maioritariamente, para exportação, aprovado para a bacia do Rovuma e que deverá catapultar o Produto Interno Bruto moçambicano para novos máximos a partir da próxima década.

“A aprovação do plano de desenvolvimento marca mais um passo significativo para se chegar à Decisão Final de Investimento (DFI) e ao início da construção ao longo do corrente ano”, disse o presidente da ExxonMobil Development Company, Liam Mallon.

A diferença está nas quantidades: enquanto a plataforma vai fornecer 3,4 milhões de toneladas por ano (mtpa) de gás liquefeito, da zona Mamba vão sair em simultâneo cerca de 4,5 vezes mais, ou seja, 15 mtpa, previsivelmente a partir de 2024/25.

"Os contratos de compra e venda de 100% da capacidade das fábricas", que em conjunto rondam aquele valor, "foram submetidos ao Governo de Moçambique para aprovação", acrescenta o comunicado do consórcio divulgado na semana passada.

“A produção estimada do bloco da Área 4 irá gerar benefícios substanciais para Moçambique e para os parceiros” do consórcio, disse hoje Alessandro Puliti, administrador de Desenvolvimento, Operações e Tecnologia da Eni.

O plano de desenvolvimento “descreve o compromisso de formar, desenvolver e empregar força de trabalho nacional e disponibilizar gás para apoiar a industrialização de Moçambique”, acrescenta.






Fonte:Jornal Notícias