Nacional

Nyusi pede "apoios concretos" da comunidade internacional

2020-02-14 16:41:28 (UTC+00:00)

O Presidente da República, Filipe Nyusi, apelou hoje em Maputo aos parceiros internacionais para concretizarem os apoios que têm prometido para o fim da violência armada no centro e norte do país, alertando para o risco de alastramento dos ataques.

MAPUTO- "Eu gostaria, nesse aspecto, de apelar aos nossos amigos que é bom que os apoios que tanto proclamamos sejam objectivos e concretos", disse Filipe Nyusi, falando num encontro com o corpo diplomático acreditado em Maputo, por ocasião do início do ano.

Nyusi assinalou que muitos países têm mostrado disponibilidade para ajudar o país a acabar com as ações armadas no norte do país, mas essa vontade não tem sido materializada.

"Quando perguntamos sobre como querem apoiar, não dizem nada, não há coisas concretas", sublinhou o chefe de Estado moçambicano. A acção de grupos armados, prosseguiu, conta com o envolvimento de estrangeiros e pode alastrar-se para outros países da África Austral.

"No mundo globalizado em que vivemos, os problemas internacionais não têm fronteiras e incidem de forma comum sobre os nossos países", enfatizou o chefe de Estado moçambicano.

Sobre os ataques em alguns troços de estrada no centro, que as autoridades moçambicanas atribuem a guerrilheiros da Renamo, Filipe Nyusi pediu à liderança do principal partido da oposição que promova um diálogo interno que acabe com divisões na organização.

"A liderança (da Renamo) devia ser mais proativa" na promoção de um "consenso interno", porque o país "não pode assistir impavidamente à violência", acrescentou Filipe Nyusi.

O Governo, prosseguiu, vai encorajar o principal partido da oposição a respeitar o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado em agosto do ano passado, visando assegurar uma maior celeridade ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR) da guerrilha da Renamo.

Na região norte de Moçambique, mais concretamente na província de Cabo Delgado, Os ataques de grupos armados já provocaram pelo menos 350 mortos e 156.400 pessoas afetadas com perda de bens ou obrigadas a abandonar casa e terras em busca de locais seguros.

Na província de Cabo Delgado, estão a avançar as obras dos megaprojetos que daqui a quatro anos vão colocar Moçambique no 'top 10' dos produtores mundiais de gás natural e que onde há algumas empresas e trabalhadores portugueses entre as dezenas de empreiteiros contratados pelos consórcios de petrolíferas.

Na região centro, mais de 20 pessoas perderam a vida desde agosto do ano passado, devido a ataques armados a alvos civis e das forças de defesa e segurança, que as autoridades atribuem à Junta Militar da Renamo, um grupo dissidente da guerrilha da principal força da oposição.