Nacional

Professores acusam município de ser cúmplice da violência ao manter barracas nas escolas

2016-09-18 10:59:16 (UTC+01:00)

Um vídeo mostrando um estudante a golpear o outro com recurso a faca deixou a sociedade sentida pela ocorrência. Enquanto uns acham algo inédito, outros que vivem o dia a dia das escolas consideram actos crónicos.

MAPUTO - Para o caso das escolas secundária Josina Machel e Estrela Vermelha, na cidade de Maputo, não só, a delinquência chega a violência entre estudantes e, por vezes, promessa de espancamento aos professores que tentam dar alguma ordem dentro da sala.

Alguns professores entrevistados pela FOLHA DE MAPUTO na sequência do vídeo que está a circular, relataram casos de professores que foram espancados, depois de receberem mensagens anónimas, a informar para deixarem de ser rigorosos no processo de ensino e aprendizagem. Casos destes, segundo eles, são muitos e que foram encaminhados as autoridades policiais e que até hoje, não tem nenhum esclarecimento.

Segundo uma professora da Josina Machel, que preferiu falar em anonimato, denunciou o facto de certos estudantes assistir aulas em estado de embriaguez, que pelo medo do professor, fica complicado tomar medidas naquele momento.

“O problema da violência e drogas nas escolas secundárias é crónico. As direcções das nossas escolas fazem de tudo para lutar contra estes males e nada acontece. Dou aulas há mais de 10 anos, todas reuniões de abertura de ano lectivo, tem sido tema de destaque, tantos das direcções das escolas como dos encarregados de educação. O solução é afastar barracas em redor das escolas, mas o município nada faz”, acusou a nossa entrevistada.

Um outro professor questiona o facto das autoridades municipais pouco ou nada fazerem para que espaços como barracas do Museu e mercado Estrela Vermelha, deixem de perturbar o normal funcionamento da Escola. “Um estudante quando está no intervalo ou por alguma razão o professor ausente, está mais perto de uma cerveja e estupefaciente, está mais perto no Estrela, em encomendar o espancamento de um professor que estudar”, desabafou.

“Um estudante em seu juízo perfeito não especta faca ao outro. Um estudante em seu estado normal não falta respeito ao professor. Todos nós sabemos os viveiros de droga e álcool nas escolas, mas fingimos cegamente que nada está acontecer. Só iremos agir quando acontecer outro caso”, rematou.[CC]