Nacional

Venezuela distingue presidente Chissano

2021-03-04 08:50:58 (UTC+00:00)

O antigo presidente moçambicano, Joaquim Chissano, foi ontem condecorado pelo governo da Venezuela com a Ordem Francisco de Miranda, pelo seu empenho pela busca da liberdade em África, com destaque para a região austral.

A cerimónia teve lugar quarta-feira e foi orientada a partir de Caracas, capital venezuelana, em formato virtual devido a pandemia da Covid-19.

Chissano, agradeceu a distinção pelo governo venezuelano e manifestou o interesse de ver crescer os laços de cooperação entre Moçambique e a Venezuela.

“Ao aceitar este galardão, manifesto a esperança de ver a crescer e a fortificarem-se, cada vez mais, os laços existentes entre os povos venezuelano e moçambicano para que os nossos povos possam desfrutar da paz, desenvolvimento económico e social sustentáveis e da prosperidade que merecem”, disse o antigo estadista citado pela Rádio Moçambique, emissora nacional.

Chissano anotou que a atribuição do galardão constitui uma prova das fortes relações de amizade, irmandade e de solidariedade entre os povos de Moçambique e da Venezuela.

São laços forjados durante a luta de libertação das nações africanas contra o colonialismo, em particular de Moçambique que contou com o apoio da Venezuela.

“Esse apoio continua e hoje em dia assiste-se a ameaça de manutenção do colonialismo e imperialismo no mundo.

Os povos africanos também continuam a debater-se com os efeitos nefastos do neocolonialismo e do imperialismo, tais como a pobreza, a fome desnutrição o analfabetismo e a falta de cuidados sanitários adequados.

“A prevalência destes males torna fúteis a liberdade e independências políticas conseguidas através das lutas de libertação. Neste sentido, torna-se necessário que todos os progressistas do mundo forgem uma solidariedade forte de luta contra estes males no mundo rumo à liberdade, paz e desenvolvimento sustentável”, disse Chissano.

A condecoração com a Ordem Francisco de Miranda de 1ª Classe é uma das mais altas distinções da Venezuela que hoje foi atribuída a Chissano.

O governo venezuelano também distinguiu outras cinco personalidades africanas que se dedicaram a libertação de seus respectivos países sendo todas residentes na África Austral.

Trata-se de Sam Nujoma, Netumbo Nandidi (Namíbia), Oppah Muchinguri Kashiri (Zimbabwe), Luzia Inglês Van-Dúnem (Angola) e Duma Moses Nkosi (África do Sul).

A Ordem de Francisco de Miranda é atribuída pela República da Venezuela em memória de Francisco de Miranda (1754-1816).

Esta homenagem e condecoração nacional foi criada para reconhecer os cidadãos venezuelanos e estrangeiros que se distinguiram para o progresso do país, para a humanidade ou por actos de mérito notável. Criada em 1934, a Ordem era inicialmente uma medalha. No entanto, acabou sendo estabelecida como uma Ordem a 28 de Julho de 1939.