Opinião

A textura da liberdade

Num istmo de forças
de relance cogitando;
no regaço de uma dama
de tronco curvado;
no espraiar duma onda,
na crista duma vaga,
eu saúdo a alegria
da liberdade.

num canteiro de rosas
batido ao sol;
nos seixos de alamedas
caóticos desenhados;
num adeus de beijos,
num suave desejo,
eu cristalizo a cor
da liberdade.

num bater de asas
de bandos partindo;
na disputa de um tronco
entre leões selvagens;
nas teias de aranhas,
nas mãos de um operário,
eu enxergo a textura
da liberdade.

1973

Carlos Morgado

Carlos Morgado

É natural de Tete tendo iniciado os seus estudos na Cidade da Beira e frequentou a Universidade de Lourenço Marques, até se graduar como Engenheiro Electrotécnico, em 1970. Participou na luta pela independência nacional e cedo se filiou a sua amada Frelimo. Iniciou a sua carreira profissional e reformou-se, na então Deta, actualmente Linhas Aereas de Moçambique. Em Janeiro de 2000 foi nomeado Ministro da Indústria e Comércio, pelo Presidente Joaquim Chissano, cargo que exerceu até Fevereiro de 2005. Faleceu a 15 de Fevereiro de 2007 e a Fundação Carlos Morgado editou a sua poesia postumamente, que aqui partilhamos.