Opinião

Guyzelh mete água na cultura moçambicana

Por Altino Mandlaze


``A porção mágica do swag tá chegar heheheh ...brevemente em todos supermercados e revendedores autorizados´´

Foi o texto publicado pelo promotor de eventos Guyzelh Produções aos 19 de Outubro do Presente ano, pelas 15:40h, Referente a marca de agua que leva seu nome: Guyzelh Fashion
Duas partilhas e diversos comentários positivos sobre o empreendimento e a criatividade que se diga, deste conceituado produtor

Não tardou para o cantor Kamane Kamas publicar igualmente em sua conta oficial no Facebook:

``Atenção Guyzelh Produções .

Muitos aqui não vão comprar e nem beber tua água simplesmente pela água ser tua e ter teu nome .
Eles nao querem saber se tem ou nao qualidade superior as das outras existentes no mercado .
Entao moBrada tenta lutar contra isso.

Parabéns pela iniciativa .
Mas nao vou comprar também so por inveja .´´

Dj. BeetKeepa afirmou em sua conta oficial na mesma plataforma:

``Estão a fazer muita tempestade num copo de água, aliás, GARRAFA de ÁGUA.
Outros nunca beberam água das garrafas mas aparecem a dizer que não vão beber... Relaxem o público alvo não são vocês... vocês devem esperar pela publicidade da FIPAG ou CERTEZA. INVEJOSOS´´

Para melhor situação do texto, importa definir inveja, conceito este, presente em ambas publicações a seguir a do Guyzelh:

``Inveja é o desejo de possuir um bem que pertence ao outro. É um sentimento de inferioridade e de desgosto diante da felicidade do outro. É um sentimento de cobiça da riqueza, do brilho e da prosperidade alheia.

A inveja é o desejo constante que algumas pessoas sentem ao almejar a todo custo as conquistas da vida alheia, é desejar o que o outro possui ou realiza.

A inveja está intimamente ligada ao ciúme, no momento que produz desgosto ou tormento ao indivíduo que almeja possuir algo que pertence a outro indivíduo.´´

Ora vejamos.

Moçambique é dos Países que mais usa os conceitos inveja e preconceito, para inferiorizar o outro, aquando da discórdia em um ou mais questões, e por tanto para esta questão simplesmente me limito a análise pública por não saber se a publicação do Dj. BeetKeepa (quem respeito) Era referente a do cantor Kamané porém, importa dizer que Guyzelh recebe várias contestações por este empreendimento, mesmo dos seus pares que muitos, não vindo ao público, não se mostram satisfeitos e nem a favor desta causa.


Nos Países fora, a industria musical e outras industrias artísticas são conhecidas como industrias sem reforma definida, cabendo ao artista e/ou ao investidor artístico desenhar e conceber a sua reforma. De facto em Moçambique um sentimento que se presume ser inveja se demostra dentre artistas por um e mais motivo, a começar pela falta do apoio de projectos um do outro; a limitação da citação de pares como referências e ausência de reconhecimento do trabalho de ambos.

O que os músicos e ou outros artistas moçambicanos não percebem é o impacto não somente da alocação de seus investimentos, mais também a repercussão; promoção e contributos que seus investimentos podem e trazem para a sociedade moçambicana, desde ganhos económicos; sociais e políticos.

A ausência de acessória de comunicação destes, faz com que muitos deles sempre que se fazem ao público sirvam-se apenas para sujar suas imagens que elava-las, fazendo com que estes usem boa parte de seu tempo para além de afundar-se, tentar puxar cordas e desfazer-se dos poços que eles mesmos cavam pois, numa visão lógica, se Guyzelh tal como o conceituado músico Stewart Sukuma criou a marca de vestuário que já é um sucesso ``SS- Stewart Sukuma´´, Guyzelh não só contribui para uma independência económica nacional mas também, dependendo da área a actuar, e de seus mecanismos de actuação, pode contribuir para a redução da dependência externa, criando um mercado competitivo entre si, com recursos que validem e beneficiem em principal a Moçambicanos e não só, contribuir para a promoção e execução cultural através de lucros oriundos destes investimentos que por ventura possam patrocinar suas obras.

Não percebem (na verdade ignoram) que há cada vez mais necessidade dos moçambicanos fecharem seus mercados diminuindo a importação para que o capital circule dentro do círculo e beneficie mais moçambicanos, lhes custa aceitar que a ideia seja do outro, e que apoiando este, não somente podem se beneficiar de seus investimentos pela cultura e artes moçambicanas mas também podem usar da mesma ideia, se espelhando e concebendo ideias inovadoras que igualmente contem com o acolhimento, parceria e apoio deste e não só.

Lhes custa recordar que antes Guyzel, o jovem é moçambicano, antes Stewart Sukuma, é Moçambicano, e ao comprar água moçambicana e de um moçambicano; vestir marcas moçambicanas e de moçambicanos; Moçambique é que sai a ganhar, não somente pelos impostos e postos de trabalho, mas também por reduzir o nível de importação e quiçá aumentar os níveis de exportação. Eu e minha família, apostamos em produtos moçambicanos, tal como os americanos, italianos, portugueses e alemães.

Altino Mandlaze

Altino Mandlaze

Altino Mandlaze, nasceu aos 25 de Agosto na cidade de Maputo. Estudante e pesquisador, desde cedo se apegou a escrita, tendo publicado seu primeiro artigo num suplemento universitário no jornal em 2010, desde lá tem publicações desde poemas, análises, crónicas e contos, em revistas, jornais, blogues e redes sociais, é empreendedor, e igualmente comentador residente da rubrica Extintor Revolution do programa Big Box Show no canal televisivo STV, e do programa Bom Balanço na Rádio KFM.