Opinião

As orgias do filantropo: o escândalo sexual da OXFAM e sua agenda “humanitária”

Há anos li um cartoon onde uma criança questiona ao pai sobre o significado da sigla ONG, tendo este respondido que significa “Olho Na Grana”.

Na altura foi caricato, talvez porque já me tinha sido dito que é Organização Não Governamental, até que um cocktail de incongruências discursivas e em forma de acções das ONG que se queiram “filantrópicas” em países rotulados por “terceiro mundo” começou a ganhar corpo ao ponto de fazer-me crer que o pai do menor não estava a fazer pirraça. Afinal algumas ONG internacionais, que se espalharam em quase todos os quadrantes do mundo, também têm vocação para acções desumanas. O exemplo de gesto não humanitário foi dado por uma das maiores ONG do mundo, a OXFAM.

Num cenário em que a expectativa de quem precisa de ajuda é maior, sobretudo quando conta com um parceiro que virá acrescer valores aos planos localmente elaborados para suprir suas necessidades, a OXFAM, ao invés de ater-se ao trabalho humanitário, submeteu os necessitados a um espectáculo de orgias no Haiti (país americano, pobre e maioritariamente habitado por pretos), pondo em cheque a sua agenda e das outras ONG internacionais. Entre os personagens deste filme obsceno, estão alguns necessitados que supostamente beneficiariam do altruísmo dos voluntários internacionais. O caso das orgias é reincidente e o mentor é o belga Roland Van Hauwermeiren, ex-director da OXFAM. Afinal a ONG tem conhecimento dos antecedentes deste entretanto insiste em mantê-lo nas fileiras, assumindo obviamente parte das responsabilidades das acções individuais. Como se pode depreender, é a própria OXFAM (UK) que buscou acobertar tais escândalos sexuais envolvendo seus próprios funcionários, entrando em contradição com sua habitual postura de denunciar ilícitos do género. Este sucedido, que dói só de ouvir ou ler, também levou-me a crer que DOADOR significa quem DOA DOR.

As narrativas apregoam que este escândalo é a ponta do iceberg. Isso pressupõe haver precedentes nunca mediatizados. Helen Evans, então chefe do departamento de prevenção de danos da OXFAM entre 2012 e 2015, em alguns países, afirmou que 1 em 10 dos funcionários foi assediado sexualmente ou testemunhou abusos envolvendo colegas porém estes dados vêm sendo objecto de esconderijo pela OXFAM e as ONG parceiras.

Não é somente no Reino Unido onde houve tentativa de silêncio, em Moçambique também. Os funcionários que habitualmente dão as caras para denunciar casos de corrupção e outros ilícitos, foram acometidos por uma amnésia sem igual. Para este caso, não há papel nem esferográfica para elaborar as cartas abertas. Será que a “Sociedade Civil” passou de original a pseudo? Os "activistas" e supostos voluntários para causas humanitárias em Moçambique parecem ter sofrido uma mutilação oral. Para este caso, as marchas de repúdio, carregando dísticos, banners e cartazes, não chegam nem a imaginação. Mas o pior dos piores, neste assunto, é aquele jornalista que ao invés de assumir a missão do Hermes (intérprete do povo), por sazonalmente prestar serviços a estas entidades, ficou inerte perante os factos e tornou-se num agente de Comunicação para o Subdesenvolvimento ao silenciar-se perante a identificação de uma agenda "desagendada" da ONG.

Circle Langa

Circle Langa

Comunicólogo/Designer e Pesquisador