Opinião

As vozes do burro estão nos céus!

- O depois dos Legends!

Quando surgiram as primeiras manifestações contra o preço inflacionado do bilhete para a vergonha (inter)nacional, oferecida inclusivamente ao mundo através da TV, os bons samaritanos fizeram ouvidos de mercador, assegurando que a crítica vinha de um sector isolado da sociedade, aquele de sempre: de olhos castanhos, estatura alta e baixa, recém-casada e irrequieta.

E quando ela (a crítica) ganhou novo formato e rumo, sucessivamente avolumando-se e espalhando-se por todos os campos sociais, eles viram-se numa situação de incapazes de continuar a tapar o sol com peneira.

Mudaram de estratégia, para daí começarem a correr atrás da galinha...com sal nas mãos. Mas sempre correndo para o lado errado da história, para onde o barulho do ronco do estômago se destinava.

“Vozes de burro não chegam aos céus”, já diziam, quando apertados, porém visivelmente cansados de repetir um disco riscado que transformava o “este é um jogo comercial” em forte homenagem ao ridículo, no esgoto da sacanice.

Contudo, aquela voz dos burros, no caso do povo ofendido, chegou mesmo aos céus. E eles, os sempre correctos, deram-se mal. Muito mal. Tão mal que nem coragem terão de vir ao público pedir desculpas pelas ofensas.

A burla redundou num fracasso. É um facto consumado. E eu já avançava que, por proibirem o povo de ir ao estádio desfrutar de uma simples festa do futebol, transformada, de resto, em esbelta tentativa de extorsão popular com uns preços tão proibitivos, estes seriam réus de um processo popular que chegaria com o tempo. O famoso julgamento da história, esse que nunca falha.

Só não compreendia a dimensão da coisa: que iam pagar cedo. Tão cedo do que o previsto.
Já é público que ficaram sem retorno do tal ‘altíssimo investimento’ feito, mas com um estádio vazio, que por sinal chegou a fazer eco com umas barulhentas ausências e um desespero enorme de vender, ao intervalo do jogo, o ingresso a metade do preço.

Aliás, o caótico vazio no espaço VIP deixou a tribuna presidencial, a única repleta de gente, sozinha e abandonada, como que se os verdadeiros amantes do futebol nacional chegassem para ocupar só aquele curto 15/30 daquele estádio enorme.

Com menos de 5000 pessoas (a maioria com convites oferecidos), num estádio concebido para 42 mil pessoas, venderam uma péssima imagem do País futebolístico, paralelamente à frustrada tentativa de capitalizar, sob ponto de vista financeiro, a vinda destes Barça Legends.

Para todos os efeitos, este acontecimento insólito concorre para os Globos de Ouro dos piores eventos desportivos nacionais. Da história dos Barça Legends já o é e nem há voltas a dar.

E o prêmio honroso a arrecadar, no acima referido evento dos piores acontecimentos de sempre, deverá sem dúvidas ser partilhado pelos organizadores e seus parceiros na realização desta vergonha internacional, servindo, outrossim, de verdadeiro lucro por aquele espectáculo desportivo mais triste do que uma exéquia fúnebre.

De resto, lá no fundo algo diz-me que ainda vão pagar caro pela violência psicológica a que sujeitaram o povo, o verdadeiro amante do futebol.

David P. Nhassengo

David P. Nhassengo

Natural da Vila da Manhiça, na província de Maputo, é jornalista desportivo desde 2012. Iniciou a sua carreira no jornal @Verdade, com registo de passagens por diversos órgãos de informação nacionais, entre jornais, revistas e televisões, com destaque para o jornal Sol do Índico, revista VIVA, jornal Confidencial e Gungu TV. A par do jornalismo desportivo, foi assessor de comunicação e imagem de alguns organismos e personalidades desportivas nacionais, como também analista desportivo na STV. É actualmente redator de uma Agência de Comunicação e Assessoria de Imprensa.

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