Opinião

Desabafo da Outra (parte III)

Texto de Mendes Mutenda*

Amigas, as coisas estão a melhorar lá em casa! Diz o ditado que “criança que não chora, morre nas costas”. Valeu os meus choros e os vossos conselhos. Obrigada!

Depois do meu primeiro desabafo, em que exigia direitos iguais, ou seja, ser amada apesar de ser Outra, no segundo, em que procurava soluções para satisfazer as curiosidades do Júnior, tive um conselho no inbox, que Graças a Deus recomendo a toda a mulher, em situação igual à minha.

Uma amiga de Inhambane entrou no meu inbox. Primeiro, deu-me um sermão lixado. Percebeu nos meus textos coisas que não eram essenciais. Dilemas de como gerir o Júnior, por exemplo. Ela demonstrou-me que o ser “Outra” é uma dádiva. Apesar da minha amiga hoje ela não ser, assegurou-me que ela é produto da Casa-2. Isto quer dizer: por mais que nos batamos, a Casa-2 sempre existiu e existirá para sempre. Tudo quanto encontramos aqui na terra é perca de força tentar acabar com ele. Deu exemplo de uma praga – essa sim, se combate. Ter fé e tenacidade.

Sobre fé: depois de dias, madrugada a dentro, a acompanhar as orações através da televisão, com o meu copo de água morna, tive que ir ter com o pastor. Todos os dias o pastor dá-me forças e nas suas orações – tanto gerais, como particulares – tem reforçado a ideia de que “tudo quanto precisamos é só orar e conseguimos, obviamente, colocando nas mãos de Deus” – Deus me abençoa e eu entrego o dízimo.

Já vai o terceiro dízimo. Não tardou. Pai de Júnior anunciou boa-nova. Desta vez o fim de ano vai ser diferente. Júnior graduou na escolinha, para o ano vai a começar a estudar: Júnior vai estudar na mesma escola que os irmãos da casa da Mana mais Velha. Este fim de ano, Júnior vai passar férias em casa dos avós, por recomendação do nosso marido. Eu e a Mana mais Velha vamos passar numa das praias do belíssimo Moçambique, claro que a mana não sabe e nem saberá quem é a sua vizinha. Estaremos lado a lado. Apesar de ser Outra, tive o prazer de escolher primeiro a casa.

O Pai do Júnior está a mostrar maturidade, dia após dia. O nosso grande problema como sociedade é não assumir as nossas práticas – eu, em parte, também não estou a ser honesta por continuar anónima – estamos numa sociedade em que vivemos de aparências. De dia pregamos uma coisa e de noite outra. Está provado que as coisas boas fazem-se na escuridão. Afinal o que custa legislarmos a poligamia?

Penso que ao legislarmos a poligamia estaremos a resolver muitos pendentes. Tanto as estatísticas mundiais, como do nosso país relatam que as mulheres são a maioria. O que seria de mim senão tivesse o Pai do Júnior? Está provado que um homem, num circuito fechado (o Próprio + a Própria + Outra) - é menos propenso. A comunidade islâmica pode nos ajudar nisso. Um homem é circuito aberto (o Próprio + a Própria + qualquer uma) – é aberto mesmo para tudo.

Vou parar por aqui. Desejo-vos Feliz Natal e prospero 2017. Quando nos vermos nas praias não me cumprimentem…. Pai do Júnior é ciumento.

*Crónicas: Mutendamente Falando

Mendes Mutenda

Mendes Mutenda

É jornalista moçambicano e natural de Sussundenga, na província de Manica. Foi formado pelas Escolas de Jornalismo (Médio Profissional) e Superior de Jornalismo. Há mais de 15 anos que trabalha na Comunicação Social, tendo passado pela rádio e televisão como apresentador de conteúdos informativos. Para além, de desempenhar funções na plataforma informativa Folha de Maputo é Docente-estagiário da Escola Superior de Jornalismo e analista de assuntos sociopolíticos em Moçambique.