Opinião

Erros que cometemos em nome da liberdade

Erros que cometemos em nome da liberdade

Por Mendes Mutenda

É arriscado ou atrevido demais, por minha parte, falar da Liberdade de Expressão por estes dias. Todo o cuidado é pouco para, em primeiro, ser mal-entendido, pela pressa de querer responder e, em segundo, ser chamado de bajulador.

O nosso debate de ideias em Moçambique, de forma geral, ficou muito pobre. Pobre pelo facto de tudo resumir-se no “gosto”, “copiar e colar”, “encaminhar” (…). Ficou tudo fácil. Gostamos de um texto antes de lê-lo, copiamos e colamos citações sem percebermos e encaminhamos textos ou qualquer outra coisa, sem nenhuma leitura crítica e sem medir o impacto.

Os desastres que estamos a ter sobre emigração de África para o Continente Europeu é o exemplo claro das nossas corridas titânicas em querer nos igualarmos aos modelos ocidentais. Às vezes os modelos que, efectivamente, não conhecemos na sua profundidade. Os europeus e americanos são grandes especialistas.

Vou me recorrer a exemplos e, incansavelmente, vou ao então líder líbio Muammar Abu Minyaral-Gaddafi morto em 2011, pelo facto de não permitir ao seu povo ter a liberdade. Das quais a liberdade de expressão, liberdade de fumar, liberdade de beber, em suma de recusar a liberdade do seu povo.

al-Gaddafi dava ao seu povo boa educação, boa alimentação, boa segurança, boa limpeza e dava emprego, a milhares de africanos e europeus. Hoje, ou seja, em 2011, mataram um líder que acreditava numa África unida, numa África em que a miséria e a fome passariam para a história.

Mataram Muammar Abu Minyaral-Gaddafi e montaram um governo dito de vontade popular. Um governo que quatro anos depois não consegue pegar vassoura para limpar ruas. Um governo que conduziu a Líbia para a pobreza extrema, sem aquela Luz e água grátis. Uma Líbia de fome e miséria. Há dias, estava a conversar com um jornalista europeu que me dizia que a entrada nas fronteiras da Líbia qualquer máquina que regista imagens é retida pelas autoridades, ou seja, só levas ao seu país no regresso. Onde está a liberdade pelo qual os líbios destruíram o país? Será mesmo que era a falta de liberdade que assassinaram Muammar Abu Minyaral-Gaddafi?

Hoje, muitos africanos morrem no mediterrâneo para tentar a vida na Europa. Estes recebem tantos nomes. Esqueceram-se que um dia mataram o ditador que dava comida, água e sumo ao seu povo. Esqueceram-se que fomentam guerras em África para dividir, para melhor reinar. Nós, os africanos, precisamos de seguir as nossas agendas.

Uma questão mesmo para terminar: será que Líbia está mais livre (Liberdade de Expressão) agora que nos mais de 40 anos que Muammar Abu Minyaral-Gaddafi ficou no poder? Vão atrapalhar os outros. Eu, Mendes Mutenda, moçambicano, quero paz e tu?

Mendes Mutenda

Mendes Mutenda

É jornalista moçambicano e natural de Sussundenga, na província de Manica. Foi formado pelas Escolas de Jornalismo (Médio Profissional) e Superior de Jornalismo. Há mais de 15 anos que trabalha na Comunicação Social, tendo passado pela rádio e televisão como apresentador de conteúdos informativos. Para além, de desempenhar funções na plataforma informativa Folha de Maputo é Docente-estagiário da Escola Superior de Jornalismo e analista de assuntos sociopolíticos em Moçambique.