Opinião

“Far west” chamado Matola-Rio

Há cerca de duas décadas transferi-me voluntariamente da cidade Maputo para o distrito de Boane, naquilo que na altura julgava que era uma fuga para uma vida sossegada longe de tudo que há de mau na cosmopolita capital moçambicana.

Por causa desta minha decisão quase todos os dias atravesso a ponte sobre o rio Umbeluzi, que é conhecida por ponte da Matola-Rio.

A zona da Matola-Rio está encravada entre dois municípios: o da Matola e o de Boane e não está municipalizada, apesar de estar em franco desenvolvimento, num movimento socioeconómico estimulado pela mega-fábrica de fundição de alumínio MOZAL.

E a grande parte população ali residente e aquela que tem que passar por ali, fazendo a sua vida quotidiana, sofre. E sofre muito. Sofre por falta de transporte, por causa da alta dos preços dos produtos alimentícios de primeira necessidade, mas sobretudo por causa da criminalidade.

Do lado de Boane, mesmo junto ao rio está erguido um grande mercado informal, em que predomina a lei da selva. A maior parte das barracas daquele mercado não fecha. Quase que funcionam 24 horas por dia e sete dias por semana.

Aparelhagens de alta fidelidade lançam para o ar muitos decibéis de todo o ripo de música. Homens, mulheres e crianças bebem bebidas alcoólicas como bem entendem. Há prostituição à vista de toda a gente. E ninguém faz nada.

Os residentes pacatos da Matola-rio acreditam que os criminosos encontram naquele mercado um local de repouso e de recreio, mas também o sitio ondem planificam as suas acções criminosas.

Conhecidos meus que vivem na Matola-rio pediram-me para contar tudo isto publicamente, pedindo também a quem de direito para agir. A situação torna-se insustentável porque afirmam que de vez em quando são vistos agentes da Polícia da Republica de Moçambique a deambularem no período nocturno pelo mercado, mas não actuam.

Sábado da semana passada fui convidado a uma pequena festa naquela zona, mesmo próximo da sede do Posto Administrativo. Por volta das 21 horas, quando a referida festa estava quase no fim uma das convidadas começa a chorar porque, entretanto, descobriu que a sua viatura tinha desaparecido.

Numa outra viatura houve uma tentativa de fazer ligação directa para também ser roubada. Felizmente os ladrões não conseguiram surripiar a segunda viatura. Isto não pode continuar assim. As autoridades tem que inverter a situação que se vive na Matola-Rio.

Os automobilistas sofrem também naquela zona, principalmente nas horas da ponta, no meio de semana, e aos sábados. No chamado cruzamento da Mozal há muito tempo que se devia ter montado um semáforo.

Muito próximo deste cruzamento (cerca de 150 metros) há um posto fixe controlo policial de Trânsito, mas não raras vezes há congestionamentos de levantar os nervos. Automobilistas indisciplinados não têm tempo de aturar os engarrafamentos e optam por entrar em contramão. Ninguém consegue explicar tudo isto. É a lei da selva, exactamente à moda do antigo “Far west” norte-americano, em que imperava a lei do mais forte.

Salvem a Matola-rio por favor.

Lobão João

Lobão João

Jornalista Sénior de Moçambique. É especialista na cobertura de toda actividade parlamentar da Assembleia da República de Moçambique, desde que o País assumiu o multipartidarismo.