Opinião
Ka Tembe: inveja debaixo da ponte
O falecido estadista moçambicano, Samora Machel, pronunciou, entre muitas outras, uma frase que não me sai da cabeça: “o inimigo nunca muda, só muda de estratégia”.
Essa frase encerra sobre si mesma muita sabedoria de quem dirigiu com êxito a guerra de libertação nacional deste país, cuja independência total completou na semana que agora finda 42 anos.
Digo isto quando vejo nos dias que correm manifestações dos vendedores do mercado informal de Mwakakana, situada ali onde começa a avenida 24 de Julho, em Maputo.
São maioritariamente mulheres as pessoas que vendem naquele mercado que vai ser retirado porque foi abrangido pelo projecto da construção da ponte da sobre a baía de Maputo, cuja conclusão está marcada para o mês de Dezembro.
Tais vendedores reivindicam indemnizações para a sua retirada daquele lugar que pertence ao município de Maputo. A edilidade da capital contrapõe, avisando que não haverá dinheiro para ninguém porque o espaço é propriedade municipal.
Mesmo assim os vendedores não vão ficar abandonados ao relento. Serão transferidos para o mercado vizinho da Malanga e ainda com melhores condições para desenvolverem a sua actividade.
Mas, aquelas pessoas recusam-se a sair dali evocando que o melhor para elas seria receberem indemnizações, porque pensam que existe dinheiro do Estado para isso e que alguém quer se aproveitar dele.
Quem estiver distraído pode pensar que os vendedores de Mwakakana agem de moto próprio e têm razão. Engana-se quem pensa dessa forma. Interesses alheios àqueles homens e mulheres estão claramente por detrás de todo o barulho que envolve o processo de retirada de infra-estruturas particulares e colectivas naquela área.
É preciso recuar no tempo para lembrar que a construção da própria ponte teve oposição de pseudo activistas ambientalistas, entre outras pessoas que estão contra o desenvolvimento deste pais.
É preciso lembrar que mesmo a construção da circular de Maputo, outro projecto conexo ao da ponte, teve o mesmo tipo de oposição, mas esta infra-estrutura envergonha hoje quem está contra ela.
É fácil notar que alguém está por detrás das manifestações dos vendedores daquele mercado. Um simples olhar para a boa qualidade dos dísticos novinhos em folha exibidos pelos manifestantes-vendedores, mostra claramente que alguém com poder financeiro está a pagar as despesa daquela movimentação aparentemente de protesto popular.
Está cada vez mais claro que parte da chamada sociedade civil em Moçambique, a soldo de interesses estrangeiros, está disposta a dar a cara por causas inconfessáveis.
São os chamados “vende pátrias” como diria Samora, a quem eu reitero a minha homenagem nesta altura do ano. Já agora acha caro leitor que o facto de ser a China, parceiro dos moçambicanos na libertação de seu país, a financiar a construção desta majestosa e importante ponte agrada a todo o mundo? Pensemos por este ângulo e sem esforço vamos ver que a inveja e a pouca vergonha vão mesmo morar debaixo daquela ponte.
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