Opinião

Libertar-se das multinacionais

Há lugares que se compram por vingança
Lustres dum palácio abandonado que se vendem.

Há sulcos no campo das multinacionais
Guizos de parelhas nas sarjetas enferrujados.

Há longos campos de trigo queimado
Homens rastejando negros de fome.

E um povo que se liberta quer viver.
Quer amar, saciar os nados mortos de ontem
Quer erguer por entre as armas
Longos ramos de flores vermelhas.

Há lugares que se compram por vingança
                Sulcos no campo das multinacionais
                Homens rastejando negros de fome

Novembro de 1974

Carlos Morgado

Carlos Morgado

É natural de Tete tendo iniciado os seus estudos na Cidade da Beira e frequentou a Universidade de Lourenço Marques, até se graduar como Engenheiro Electrotécnico, em 1970. Participou na luta pela independência nacional e cedo se filiou a sua amada Frelimo. Iniciou a sua carreira profissional e reformou-se, na então Deta, actualmente Linhas Aereas de Moçambique. Em Janeiro de 2000 foi nomeado Ministro da Indústria e Comércio, pelo Presidente Joaquim Chissano, cargo que exerceu até Fevereiro de 2005. Faleceu a 15 de Fevereiro de 2007 e a Fundação Carlos Morgado editou a sua poesia postumamente, que aqui partilhamos.