Opinião

Nyusi busca incansavelmente a paz efectiva

Nyusi busca incansavelmente a paz efectiva

"A guerra é inútil dado que configura um acto de violência com que se pretende obrigar o nosso oponente a obedecer a nossa vontade".
-Clausewitz-

A palavra paz, segundo Silva (2002), significa a ausência da guerra. Os termos guerra e paz seriam, nesse caso, opostos, antônimos. São, portanto, situações extremas. E estão, de facto, situadas em pólos opostos. Mas entre uma e outra existem situações e estágios intermediários.

Johan Galtung (1995) tenta definir melhor a palavra paz ao apontar os conceitos de uma paz negativa e de uma paz positiva. A paz negativa, segundo esse ilustre professor, é a mera ausência da guerra, o que não elimina a predisposição para ela ou a violência estrutural da sociedade. A paz positiva, por outro lado, implica ajuda mútua, educação e interdependência dos povos. A paz positiva vem a ser não somente uma forma de prevenção contra a guerra, mas a construção de uma sociedade melhor, na qual mais pessoas comungam do espaço social.

Concordando com Galtung, evolui-se da polarização guerra e paz para, no mínimo, três estágios distintos: a guerra, a paz negativa e a paz positiva. Uma maior reflexão ainda se faz necessária sobre as situações que envolvem guerra e paz. No entanto, em um primeiro momento, pode-se identificar: a guerra declarada e em curso, a chamada guerra fria, a preparação para a guerra ou para a eventualidade da guerra, a guerrilha, o terrorismo, a violência estrutural, a não-cooperação da paz negativa e, finalmente, a paz verdadeira ou, utilizando-se o termo de Galtung, a paz positiva.

As incursões do líder da Renamo denunciam o seu distanciamento do compromisso com a paz, e uma tentativa de inviabilizar o desenvolvimento individual e colectivo de todo um povo. Mesmo depois da assinatura dos acordos de cessação das hostilidades militares em Setembro do ano findo, em virtude do qual, a Renamo comprometeu-se a implementar o desarmamento da sua força militar residual, o executivo devendo em retorno integrar uma parte dessa força nas Forças Armadas, outra parte na Polícia, outra parte ainda devendo ser desmobilizada e socialmente reintegrada, através de um fundo de Paz e Reinserção Social, continuamos a assistir uma Renamo comprometida com a desistabilização e escangalhamento do tecido social, caracterizado por um clima de medo e de incertezas.

Tornou-se extremamente difícil dar crédito as palavras do líder da Renamo, uma Renamo disfarçada em duas facetas, aquilo que um grande amigo chamava de Remano das matas e do asfalto. Numa altura em que todos esforços tendetentes a resolução dum problema que parecia impossível, ganhou corpo com a aprovação do Fundo de Paz e Reconciliação Nacional suportado por 10 milhões de dólares americanos anuais, destinado ao financiamento de projectos económicos e sociais dos desmobilizados do conflito armado, bem como dos antigos combatentes e veteranos da luta armada, esta mesma Renamo continua manter homens armados nas suas bases e aterrorizando as comunidades.

Na verdade a Renamo pretende criar um clima de caos a escala nacional, que se denuncie esta intenção macabra, a Renamo não está nem tão pouco interessada com os valores nobres dessa Pátria de Heróis como Unidade Nacional, patriotismo, solidadriedade entre outros, aliás recorde-se donde vem essa Renamo, não seria hoje que os seus objectivos ganhariam outros contornos. Contrariando a célebre frase, não há ninguem tão burro que não tenha nada pra ensinar, nem tão ignorante que não tenha nada pra aprender, mas a Renamo sinceramente não tem nada, absolutamente nada pra dar os moçambicanos, mas dado clima de tolerância e paciência temos que aprender a coexistir com esses irmãos desviados.

Ao Presidente Nyusi, o apelo é que não desista nessa Empreitada de busca incessante pela paz efectiva. O espírito de abertura aos diversos extratos da sociedade, a abertura e disponibilidade que tem mostrado de interagir com as demais forças políticas, devem continuar a primar na esteira de sua governação. Quando nosso parente esta possuido, a bíblia que configura palavra sagrada deve constituir a nossa esperança de salvação do corpo infermo. Caso seja necessário que convoque um novo encontro com o líder da remano, nem que seja necessário recebe-lo com água benta Sr Presidente, mas a luta pela busca da paz efectiva deve ser incessante porque este constitui um dos mais nobres bens do povo moçambicano.

Eurico Nelson Mavie

Eurico Nelson Mavie

É natural de Maputo e formado em Administração Pública pelo Instituto Superior de Relações Internacionais e Diplomacia. Nesta instituição presidiu a Associação dos Estudantes e foi colaborador do Conselho Nacional da Juventude (CNJ). Após conclusão do curso, foi convidado a trabalhar na New Vision (Centro de Formação Profissional) como Director Pedagógico. Na mesma altura foi encarregue de chefiar a equipa responsável pela codificação do Acervo Documental da Unidade Técnica da Reforma do Sector Público. Actualmente é pesquisador e analista político.