Opinião

Nyusi e a corrida pela riqueza

"Quero que o nosso Estado e os moçambicanos em geral, sejam os verdadeiros donos das riquezas e potencialidades da nossa pátria". - Filipe Jacinto Nyusi -

David Ricardo (1772), entende a riqueza como a situação referente a abundância na posse de dinheiro e propriedades móveis e imóveis. A riqueza também pode ser medida pelo acesso aos serviços básicos como saúde, educação entre outros.

Para Ricardo, uma naçao é rica em razão da abundância de mercadorias que contribuam para a comodidade e o bem estar de seus habitantes.

Por sua vez, Adam Smith (1776), viu a criação da riqueza como a combinação de materiais, trabalho, terra e tecnologia de forma a obter lucro. Por outro lado, Karl Marx, considera a terra e o trabalho como a fonte de toda a riqueza material.

Ora, quando falamos de Moçambique, em termos dos recursos vitais a economia nacional, temos na mira vários recursos como por exemplo, a energia hidroeléctrica (Cahora Bassa), o Gás, o Carvão, os Minerais, a Madeira, as areias pesadas, as extensas terras agrícolas, o enorme potencial pesqueiro e tantos outros que Deus ainda nos fará descobrir, que colocam moçambique num destino quase que obrigatório do apetite capitalista, mas as grandes questões que se afiguram crucias na satisfação desta grande nação, tem a ver com a distribuição destes recursos aos moçambicanos, de tal maneira que os mesmos tirem proveito desta riqueza nacional.

E nesta empreitada, cabe ao Presidente Nyusi garantir que alocação destes, se façam sentir na vida diária dos moçambicanos. Nyusi foi eleito porque o povo viu nele um homem de inúmeras qualidades, um homem humilde, tolerante, simples, e sempre aberto ao diálogo.

Alias, o movimento dos seus lábios, fizeram-nos testemunhar o seu grande compromisso, assumido perante o povo, quando em sede da sua tomada de posse a 15 de janeiro de 2015, afirmou o seguinte:

"Lutarei para que os moçambicanos sejam os donos e a razão de ser da economia, assegurando uma crescente integração do conteúdo local e a participação efectiva dos moçambicanos nos projectos de investimento, em especial na exploração de recursos naturais. O meu Governo vai assumir-se como parceiro estratégico na afirmação de uma classe empresarial moçambicana mais ampla e robusta. " Fim de citação.

Portanto, o compromisso de Nyusi foi com o povo que o elegeu, povo a quem ele chama "O MEU PATRÃO " e é a este povo que ele deve servir. Perante os choques económicos que o país atravessa, todos temos o dever de arregaçar as mangas para produção, rumo a reanimação da nossa economia. Como dizia o nosso Servidor, de nada irá adiantar choramingar pelos cantos porque estamos em crise.

Verdade seja dita, passamos sim por momentos difíceis, em que muitas familias estão disprovidas de bens essenciais básicos e enfrentando inúmeras dificuldades. Não assumir este facto, ou tentar camufla-lo, seria um insulto grosseiro e tamanha falta de consideração a este povo humilde, trabalhador e confiante num futuro risonho.

A corrida desenfreada pelo acesso aos recursos, não deve constituir motivo de discórdia e sacrificar os filhos legítimos desta Pérola do Índico. Já não constitui novidade para ninguem, que sob um pretexto estapafúrdio de defesa da democracia, o líder da renamo justifica as suas matanças, que permite alimentar o seu negócio milionário da venda de pedras preciosas que explora de forma ilegal, lesando em grande medida o Estado Moçambicano.

Devido a cobiça e sede insaciável por esses e outros recursos que explora de forma ilegal, Dhlakama tenta impor a lei do cano das armas nas áreas onde rouba o Estado e vai alimentando a instabilidade política e militar no país.

Recorde-se que o mote do conflito na República Democrática do Congo, por exemplo, radica exactamente na corrida desenfreada pelos recursos, como por exemplo o coltão, uma mistura de dois minerais, a coulumbite e a tantalita, rara na natureza, mas essencial para o dia-a-dia de milhões de pessoas em todo o mundo devido à sua inigualável e insusbstituível importância na indústria de quase todas as tecnologias electrónicas e digitais.

O problema é que de tão rara, quase que só existe na RDC, onde se pensa que estarão mais de 80 por cento das reservas mundiais. Um mineral que brilha no mundo, mas deixa um rasto de morte e humilhação na RDC.

As percentagens acima, fazem-me recordar que os maiores recursos de gás natural entre os países do "continente negro" são detidas precisamente aqui nos arredores do índico e isso aguça os apetites dos capitalistas que a todo custo incitam a violência nessas coordenadas.

Portanto, quando Nyusi condena a corrida desenfreada a riqueza e que pode aguçar as diferenças, gerar conflitos e o crime, Nyusi não só se distancia destes, como também os chama a atenção para não se servirem do partido no poder para seu enriquecimento pessoal, num apelo à militância e aos valores da integridade que tem sido agredidos a luz do dia, por egoístas movidos pela ganância desmedida pela riqueza.

Com este posicionamento, Nyusi faz um chamamento aos militantes do partido no poder para observância dos valores da humildade, simplicidade, transparência e de entrega total ao serviço do povo e não ao enriquecimento assustador.

Não, não queremos o mesmo destino para o povo moçambicano, queremos sim e acreditamos que Nyusi irá capitalizar todas mais-valias para aliviar a dor dos moçambicanos e reanimar a sua esperança, rumo a um bem-estar social, político e económico. Confiamos em ti Nyusi.

"Estou confiante que juntos iremos construir o bem estar do nosso povo e um fututo risonho para as nossas crianças",
Mais não cito.

Eurico Nelson Mavie

Eurico Nelson Mavie

É natural de Maputo e formado em Administração Pública pelo Instituto Superior de Relações Internacionais e Diplomacia. Nesta instituição presidiu a Associação dos Estudantes e foi colaborador do Conselho Nacional da Juventude (CNJ). Após conclusão do curso, foi convidado a trabalhar na New Vision (Centro de Formação Profissional) como Director Pedagógico. Na mesma altura foi encarregue de chefiar a equipa responsável pela codificação do Acervo Documental da Unidade Técnica da Reforma do Sector Público. Actualmente é pesquisador e analista político.