Opinião

Nyusi em “banho-maria”?

Após o período de lua-de-mel, que se consubstanciou na passagem dos 100 dias de governação, abriu-se uma nova era de arregaçar as mangas e redobrar os esforços no sentido de responder cabalmente as funções atribuídas a cada pelouro.

Hoje temos o grande desafio que é a implementação do Programa Quinquenal do Governo, um programa extremamente ambicioso que precisará sem dúvidas do engajamento de todos vectores da sociedade para sua concretização, sobretudo da excelência e brio de máquina governamental.

Apesar do principal instrumento de gestão do governo para os próximos cinco anos, aparecer numa abordagem holística integrada, não apresentando uma abordagem sectorial, mas uma abordagem por programa integrado para garantir que, efectivamente, aquilo que são as prioridades estratégicas do governo sejam conferidas no que se define como objectivos estratégico, a proactividade de cada ministro afigura-se de capital relevância. Um ministro é responsável pela gestão de uma pasta, ou seja, de uma área temática governativa, o que implica normalmente a direcção de uma das grandes repartições governamentais, geralmente designadas "ministérios".

Que não se cometam os mesmos erros do passado, os ministros devem ser proactivos, criativos e dinâmicos no cumprimento das tarefas a que foram incumbidos nos seus respectivos pelouros.

O figurino do presente Programa Quinquenal do Governo, não deve constituir motivo de avaliações globais (isentas de responsabilizações particulares), no que concerne aos grandes objectivos estratégicos pretendidos. É certo que o presente PQG teve em consideração alguns pilares estratégicos, como por exemplo o desenvolvimento do capital humano (que deverá se reflectir nos sectores da saúde, educação entre outros), há objectivos estratégicos que requerem maior investimento por forma a produzir resultados palpáveis, e visíveis nos olhos das populações, como a agricultura, pesca, transportes é o investimento em infra-estruturas.

No que concerne a gestão dos recursos naturais vistos como fonte indispensáveis na geração de riqueza e da consolidação do crescimento e desenvolvimento económico, não me proponho a tecer quaisquer comentários dado que, saúde, comida, transporte e estradas em condições, se afiguram elementos urgentes e inadiáveis.

Aos senhores ministros, o apelo é que não deixem o Chefe de Estado em banho Maria, em nenhum momento deve ficar a sensação de que o ministro X é mais visível em relação ao ministro Y, o esforço deve ser grupal no sentido de alcançar resultados mensuráveis. O povo é muito sensível e exigente, e na altura das cobranças, não se olha para o ministro x ou y, mas sim para a pessoa a quem este mesmo povo depositou a sua confiança nos últimos pleitos eleitorais, " O EMPREGADO DO POVO".

Escuso-me a tecer quaisquer comentários em relação a avaliação Preliminar que se poça fazer do novo Governo, mas o apelo é que os ministros ombreiem no mesmo sentido de marcha do Chefe de Estado, dado que a sua nomeação teve em consideração o seu elevado conhecimento técnico sobre os assuntos correspondentes ao seu ministério (em alguns casos, outros pela confiança política).

A tentativa do ligeiro cumprimento do ambicioso Programa Quinquenal do Governo, exige também o emergir de "ministros técnicos" ou "tecnocratas", sobretudo no caso de pastas de elevada complexidade técnica, que se reinventam para melhorar a condição de vida das populações.

Eurico Nelson Mavie

Eurico Nelson Mavie

É natural de Maputo e formado em Administração Pública pelo Instituto Superior de Relações Internacionais e Diplomacia. Nesta instituição presidiu a Associação dos Estudantes e foi colaborador do Conselho Nacional da Juventude (CNJ). Após conclusão do curso, foi convidado a trabalhar na New Vision (Centro de Formação Profissional) como Director Pedagógico. Na mesma altura foi encarregue de chefiar a equipa responsável pela codificação do Acervo Documental da Unidade Técnica da Reforma do Sector Público. Actualmente é pesquisador e analista político.