Opinião

O meu país, vocês...

Estou triste e com a cabeça às voltas!

Acabo de assistir a um video sobre um debate televisivo nos Estados Unido, em que os convidados falam da situação de Africa. Dizem lá que a economia global está a crescer e a africana está a descer. O mais caricato é que dizem que os africanos não percebem isto e, seria melhor não despertarem-nos. Dizem que os africanos não sabem lidar com a tecnologia pelo que não a mandam para evitar que a gente se magoe.

Meus irmãos, estão a falar de tú e eu. Estão a falar de nós. A maneira como eles olham para nós é grave. Não quero perder tempo a discutir se é justa e merecida ou não mas, a verdade porém, é que é assim como olham para nós. Decorrente dessa percepção eles nos tratam do jeito como nos olham. Precisamos de mudar este quadro.
Ontem conversava com um europeu sobre as minhas frustrações em relação ao lento progresso em Africa. Ele, de forma condescendente e paternalista, tentava simpatizar com a falta de progresso em Africa, atribuindo culpa ao colonialismo que dizimou as elites africanas. Dizia ele que vai ser necessário mais uns cem anos para Africa reconstituir a sua estrutura social para alavancar o seu desenvolvimento. Fiquei doido! Eu disse-lhe que ele não sabia de que estava a falar.

Nós precisamos de mudar agora! Precisamos de fazer diferente hoje sob o risco de nada diferente acontecer nos próximos 100 anos. Tivemos a ousadia de lutar pelas independências, mas parece que não estamos a saber nos projectar rumo ao desenvolvimento. Aqui, é preciso um novo software nas nossas cabeças. Os paradigmas usados para o alcance das independências já não funcionam.

Eu me inspiro na China. Na Malásia. No Japão. Em Cuba e muitos mais países que conseguiram grandes progressos, não obstante a situação histórica deles ter alguma semelhança com a nossa. Hoje, aquilo que nós sabíamos fazer em 1975 já desaprendemos. Já não sabemos fazer vagões e carruagens na Cometal Mometal. Já não produzimos bicicletas na Fabrica de Bicicletas de Moçambique. Já não sabemos produzir manteiga, sumos na Lomar, etc. A Maquinag que produzia elevadores onde está? Onde está a A Forjadora que produzia estruturas metálicas?
Entretanto, há pessoas que vêm nos dizer que isto é normal e, algumas lideranças locais acreditam nisso.

Há outras lideranças locais que acham que nós estamos a crescer. Qual é a parte nossa que está a crescer mesmo? Nós precisamos de um crescimento orgânico, aquele que vem de dentro e que seja fruto do nosso trabalho árduo, produção interna e nossas poupanças. Isso é que é crescer.

Crescimento inorgânico que é alimentado de fora dá nisto. Hoje, estamos expostos à vergonha. Não querem nos financiar o orçamento por que não nos acham mais merecedores.

Estou triste....

Teófilo Nhangumele

Teófilo Nhangumele

É especialista em Relações Públicas e Governamentais, tendo assumido posições seniores nesta área em varias corporações internacionais, dentro e fora do país, no sector de petróleos, a níveis do upstream, midstream e downstream. É professor formado das línguas inglesa e portuguesa e possui formação em Relações Internacionais e Diplomacia. Por ultimo, possui um Mestrado em Gestão de Negócios, com enfoque para a gestão de finanças internacionais. Apresenta uma larga experiencia de gestão sénior em empresas privadas e projectos do Governo. Teófilo é casado, pai de 3 filhas e avô.

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