Opinião

OS HOMENS CASAM PARA NÃO FAZER SEXO

Sei que homens lobos irão chamar-me de narciso culpa desta frase.

É. Egocêntrico.

O que na verdade não o sou, é que se reparar com atenção, desde os primórdios da história da humanidade, certos rituais masculinos foram definidos com clareza, rituais esses, cruciais para determinar com exactidão a passagem da adolescência para a masculinidade, dentre esses momentos podemos destacar a caça; afugentar os animais selvagens; a circuncisão (que outrora era pública e a sangue frio) mas, o maior de todos, era o casamento.

Em tempos remotos, o casamento era dos maiores objectivos de todos homens, e em conversas com pessoas mais velhas, os meninos não deixavam de dizer que um dia irão tornar-se homens e terão mulheres lindas e muitos filhos, mas porque era tão importante e marcante o casamento para os meninos daquela época? Será que almejavam tanto ter filhos? Digamos que sim, mas se usarmos o microscópio, notaremos que dentre o casamento e o ter muitos filhos, está uma bela palavra que era proibido pronunciar e para piorar, fazer uso tanto para os meninos (Crianças), quanto para os rapazes (adolescentes) daquela época.

O sexo (fazer muito sexo). É, por incrível que pareça, naquela altura o casamento era a única chave para o homem ter a mulher que desejasse sexualmente, principalmente nas sociedades mais bem organizadas e conservadoras. O homem olhava para a mulher, ia a possuindo com olhares e, terminava por aí, assim como para a mulher.

Dentre o medo de conhecer um homem, ao de ser renegado pela sociedade e pelos pais por manter relações sexuais antes do casamento, sustentado pelo machismo exacerbado na época, preferia a mulher esperar pelo príncipe encantado que fosse buscar a chave do invisível sinto de castidade no fundo do mar, e a derretendo na brasa bem forte, a transformasse em anel que serviria de noivado e após de casamento.

Resumindo, antigamente, os homens casavam para fazer sexo, contrariamente aos dias de hoje, o homem solteiro pode ter mulheres a fartura, de raças, etnias, níveis sociais e académicos possíveis, e quanto menos sério mostrar-se safado melhor ainda, até Homens (entenda-se: Homens com uma vagina ou simplesmente mulheres dentro de um homem) este terá acesso, aí a questão será apenas de escolha porém, o mesmo homem sofre represálias quando contrai o matrimónio (Pois terá que dividir o património e o que lhe resta é apenas matrimónio mesmo).

Primeiro irá perder todas mulheres que se predispunham para si, mesmo as que sabiam que não se tratava de assunto sério e que este estava em uma relação, irá sofrer uma tremenda crise de ciúmes de suas amantes que se não for forte virá até a cancelar o casamento ou apenas ocultar que irá fazê-lo, e após casar, após gozar a lua de mel, que corresponde aos primeiros dias de casado, poderá até ter sexo à fartura, até que venham as alternâncias.

É que enquanto namorado, cada encontro correspondia a uma jornada sexual, no casamento ou terá de o fazer em dias alternados, ou até chegará a esquecer que ele (o sexo) existe, entrará em uma crise de fartura apenas por ver, mas que na verdade (esta crise), será alimentada pelas desculpas de sua esposa, e que mesmo as activas, mulheres ``safada-mente´´ assumidas (salvo se for ninfomaníaca), que o queiram a torta e à direita, o trabalhem à noite inteira, nunca chegará a manter relações sexuais como quando solteiro, em relações extra conjugais, muito menos em casa, em suma, os homens casam para não fazer sexo.

Altino Mandlaze

Altino Mandlaze

Altino Mandlaze, nasceu aos 25 de Agosto na cidade de Maputo. Estudante e pesquisador, desde cedo se apegou a escrita, tendo publicado seu primeiro artigo num suplemento universitário no jornal em 2010, desde lá tem publicações desde poemas, análises, crónicas e contos, em revistas, jornais, blogues e redes sociais, é empreendedor, e igualmente comentador residente da rubrica Extintor Revolution do programa Big Box Show no canal televisivo STV, e do programa Bom Balanço na Rádio KFM.