Opinião

PAZ É PRIORIDADE DE NYUSI

Há quem defende a necessidade de ressuscitar o AGP para resolver assuntos considerados pendentes, mas que assuntos são esses que os antecessores de Nyusi não conseguiram resolver?

Como se explica que na governação do Presidente Chissano o povo moçambicano tenha, se esquecido do ruído das armas e os mesmos voltaram a ecoar na Governação do Presidente Guebuza e Nyusi? O que o Presidente Chissano fazia de mágico para acalmar os ânimos de Dhlakama e sua cupula? há correntes que defendem que Dhlakama recebia dinheiro para manter a paz, mas seria essa a melhor estratégia para manter a paz efectiva em Moçambique? Creio que não.

Houve uma altura em que até os mais leigos em política deram razão a Dhlakama em relação as exigências que fazia, exigência que de tão extensivas, prefiro não arrolar neste discorrer. Houve abertura e muitas dessas exigências foram acolhidas pelo Governo cessante. Após as eleições de 15 de Outubro de 2014, onde Nyusi e a Frelimo saíram vitoriosos, Dhlakama veio com novas revindicações, alegando ter ganho em certas províncias e reclamava governar nas mesmas, mesmo sabendo à partida as regras de jogo. Novas ameaças de tomar o poder pela força, discursos belicistas e confrontos entre as forças Governamentais e sua guerrilha. Associado a estas acções macabras, a Delegação da Renamo, entretia a Delegação governamental naquilo que se apelidou diálogo político. Diálogo de inúmeras rondas improdutivas, marcadas por novas exigências. Entre exigências e cedência, fomos indo até que a Renamo decidiu romper o diálogo e fazendo novas exigências e prometendo tomar o poder pela força, ameaçando expulsar administradores e nomear os seus para governar.

Não faltou vontade e acções práticas de Nyusi em manter esta paz que todos almejamos. O cenário foi se agudizando até que novos ataques, provocados pelos homens da Renamo, foram surgindo em diversas coordenadas do solo pátrio, semeando terror, dor e luto a muitas famílias moçambicanas. Em pleno dia da celebração do 25 de Setembro, voltamos a assistir um cenário lamentável. Mesmo depois desses episódios, a Renamo voltou recentemente a reafirmar que esta comprometida com a paz, mesmo tendo feito estas declarações, provavelmente sob efeito da pólvora das suas armas, o povo ficou ligeiramente confortado, dado que as mesmas foram feitas em pleno dia 4 de Outubro, na passagem dos 23 anos da assinatura dos acordos Geral de Paz, assinado em Roma. Custa-nos acreditar nas promessas da Renamo, dada sua constante controvérsia.

O que Renamo diz não se escreve, hoje a mesma Renamo alega que só voltará a mesa das negociações se for para discutir "coisas concretas", coisas que no meu entender só se conseguem por via das eleições. A Renamo pretende a partilha do poder e, camufla essa sua pretensão, na luta pela preservação da democracia. O que a Renamo não percebe é que cabe apenas ao povo garantir a alternância governativa e, que o poder que tanto almejam conquista-se nas urnas.

Que democracia é essa que a Renamo pretende preservar, escangalhando todo Quadro Jurídico-legal que rege um Estado de Direito democrático? O povo moçambicano já percebeu que a Renamo é composta por almas nutritivas, que não luta por nenhuma preservação da democracia, mas sim para satisfazer sua sede vampírica pelo alcance do poder pela força.

Ao Presidente Nyusi, sendo a paz e a consolidação da Unidade Nacional, uma das suas principais prioridades de governação, o apelo é que continue na luta pelo alcance da paz efectiva em Moçambique, que sente quantas vezes forem necessárias, para trazer a paz a este povo que o elegeu, para conduzir os seus destinos. O gesto de manter um novo encontro com o líder da Renamo, reacende a esperança dos moçambicanos e, por mais difícil que seja sentar na mesma mesa com um individuo que faz de tudo para inviabilizar o desenvolvimento da nação moçambicana, essa luta deve ser incessante. Os moçambicanos não devem ficar reféns de um punhal de gente e, a paz não deve ser conseguida pela força das armas.

Eurico Nelson Mavie

Eurico Nelson Mavie

É natural de Maputo e formado em Administração Pública pelo Instituto Superior de Relações Internacionais e Diplomacia. Nesta instituição presidiu a Associação dos Estudantes e foi colaborador do Conselho Nacional da Juventude (CNJ). Após conclusão do curso, foi convidado a trabalhar na New Vision (Centro de Formação Profissional) como Director Pedagógico. Na mesma altura foi encarregue de chefiar a equipa responsável pela codificação do Acervo Documental da Unidade Técnica da Reforma do Sector Público. Actualmente é pesquisador e analista político.