Opinião

Ditadura do Ocidente encapuçado nos Direitos Humanos

Por Mendes Mutenda

Hoje em dia, como no passado, o mundo é construído por ditaduras ideológicas que faz com que às vezes saímos para apoiar assuntos que por si só são uma imposição aos receptores.

A minha opinião sobre o Ocidente já é sobejamente conhecida. Sempre quando um desses chefes mundiais desliza e confirma uma parte sobre as atrocidades que foram cometidas pelo mundo, sobretudo no Iraque e na Líbia, tem sido, para mim, uma oportunidade para mais um desabafo.

Há dias, confesso, fui alertado pelo sociólogo moçambicano, Elísio Macamo, sobre uma tendência que estava a assumir sobre o assassinato de Mouammar Kadhafi em 2011, em que aparentemente elogiava este líder africano, sem no entanto, trazer à tona os seus erros como um humano, com poder.

Hoje, escrevo, não para elogiar os efeitos de quem quer que seja. Porque estaria na onda dos que só elogiam as pessoas depois que se confirma a sua morte. Ele era isto e aquilo. Tudo de bom. Mesmo quando é enterrado com dívidas na justiça, ou com algemas.

Escrevo para manifestar o meu desejo de ver George Bush (Presidente dos EUA 2001-2009), Barack Obama (Presidente dos EUA até o presente 2015), Nicolas Sarkozy (Presidente da França 2007-2012), Tony Blair (Primeiro-Ministro britânico 1997-2007) e, por fim, Charles Bouchard (Tenente-General nomeado para comandar a missão da NATO na Líbia), condenados na “Justiça Internacional”, por terem encomendado a morte do iraquiano Saddam Hussein e do líbio Mouammar Kadhafi.

Encomendar a morte de alguém é contra os Direitos Humanos. É algo condenável. Então, por que não condenamos ou não pedimos a prisão destes líderes mundiais que, através das suas organizações espalhadas pelo mundo, espalham o evangelho religioso, político, económico e social de que temos que respeitar os Direitos Humanos, temos que respeitar as minorias sexuais, temos que ter a democracia, por aí fora… Em contrapartida, temos os mesmos líderes a usarem o gatilho para limpar os seus adversários ideológicos, tidos como ditadores.

De tantos estes manos ocidentais terem conquistado o mundo, através das suas ideologias, a possibilidade de ser linchado em público pelos seus “rebentos” é maior. Tony Blair já apareceu várias vezes a confirmar que os serviços secretos dos Estados Unidos, como os do Reino Unido, já sabiam, de antemão, que Saddam Hussein não tinha nenhuma arma de destruição maciça e que este argumento era apenas um pretexto por todo bem conhecido. E agora, pergunto: o que falta para os autores de tal pretexto serem levados a tribunal? É fácil chamar Mugabe de ditador e esquecemos, por exemplo, chamar Bush de assassino. O caso Bush está bem confirmado. Que agiram de má-fé contra Saddam. Será que a ideia do “direito à vida / direitos humanos” muda quando o assunto é para um dito “ditador”?

Este mundo é tão injusto. Tão injusto que os que praticam injustiça em larga escala (malta Tony Blair) andam de palestra em palestra, no mundo, a confessar os seus crimes e nada é feito por essas declarações. Tão injusto que as mortes que eles encomendam pelo mundo, são fruto de diabolização mediática. Uma espécie de preparar terreno para justificar as suas acções. O Tsekuro (avô) Mugabe também é vitima de um evangelho de “preparar o terreno”. É mais odiado no mundo, amado pelos zimbabweanos.


Azvidhi hasha (não precisa forçar) Mutendamente Falando
mendes@folhademaputo.co.mz

Mendes Mutenda

Mendes Mutenda

É jornalista moçambicano e natural de Sussundenga, na província de Manica. Foi formado pelas Escolas de Jornalismo (Médio Profissional) e Superior de Jornalismo. Há mais de 15 anos que trabalha na Comunicação Social, tendo passado pela rádio e televisão como apresentador de conteúdos informativos. Para além, de desempenhar funções na plataforma informativa Folha de Maputo é Docente-estagiário da Escola Superior de Jornalismo e analista de assuntos sociopolíticos em Moçambique.