Opinião

Razões da REJOPAM

Na segunda-feira da próxima semana profissionais da comunicação social filiados na REJOPAM (Rede de Jornalistas Parlamentares de Moçambique) vão se reunir em Assembleia Geral, para entre outros assuntos, elegerem novos órgãos sociais.

Será certamente um momento de festa e reflexão sobre os desafios que se colocam para a esta agremiação profissional, no actual estágio da vida democrática nacional.

A REJOPAM foi idealizada há cerca de duas décadas, quando um grupo de jornalistas que nessa altura cobriam com frequência o parlamento moçambicano, se reuniu com outro grupo, este de deputados séniores. Nessa fase a Assembleia da República (AR) estava a dar os primeiros passos da democracia multipartidária.

No seminário de então, havido em Namaacha, ficou combinado que a formação constante dos jornalistas seria a prioridade daquilo que viria a ser a futura rede de jornalistas, actualmente conhecida por REJOPAM.

Os tempos mudaram, novas gerações de jornalistas foram entrando e saindo da chamada “casa do povo”, mas os problemas de défice de formação prevalecem.

Há que reconhecer que temos jornalista que cobrem a actividade parlamentar ser o mínimo de formação e isso é tão nefasto como pernicioso.

Exemplo do que estou aqui a falar é o recente caso “Mercedes” para os deputados membros do parlamento. Jornalistas criticaram a compra dos carros de luxo, mas não se deram ao trabalho de verificar a legalidade do assunto. Preocuparam-se com a oportunidade e a “moralidade” do acto, arrastando nesse desiderato quase toda a sociedade. Comunicação social de facto tem uma força incrível.

Meus colegas até deixaram-se instrumentalizar por alguns partidos políticos, incluindo os com assento no próprio parlamento.

Praticamente nenhum jornalista, dos que dedicaram o seu tempo para este assunto, se deu ao trabalho de ir consultar as actas parlamentares que reportam a discussão do Orçamento da AR, que serviu de base para a aquisição das viaturas da polémica.

É que nessas actas está claro que as bancadas da Frelimo, Renamo e MDM, estiveram de acordo com tal orçamento interno. Quer dizer, jornalistas mal formados e informados arrastaram toda um sociedade para um debate inútil, que só serviu de publicidade para a marca Mercedes. Deve ter ficado muito feliz a empresa multinacional alemã, com a atitude dos moçambicanos.

É também para lutar contra este tipo de situações que REJOPAM nasceu e quer crescer. Nós reafirmamos que queremos congregar profissionais de comunicação social comprometidos com o tratamento e divulgação de assuntos noticiosos relativos ao quotidiano da Assembleia da República;

Os nossos estatutos indicam claramente que queremos induzir os profissionais de comunicação social a terem um maior interesse na procura, selecção e tratamento de matérias referentes às várias actividades desenvolvidas pelo nosso parlamento.

Pretendemos estabelecer uma plataforma sólida de parceria e cooperação entre a ROJAPAM Assembleia da República e outros parceiros nacionais e estrangeiros que lidam com assuntos parlamentares.

Lobão João

Lobão João

Jornalista Sénior de Moçambique. É especialista na cobertura de toda actividade parlamentar da Assembleia da República de Moçambique, desde que o País assumiu o multipartidarismo.