Vida e Lazer

Manu Dibango morre vítima de Covid-19

2020-03-24 12:56:49 (UTC+00:00)

Morreu na manhã de hoje, aos 86 anos de idade, o saxofonista camaronês Manu Dibango, vítima do covid-19. Esta informação foi avançada pelos seus parentes na conta oficial Facebook do artista.

A lenda do afro-jazz dos Camarões foi hospitalizada, no dia 18 de Março, na França, depois de ter sido infectado pelo vírus. A família detalhou que o funeral será realizado em estrita privacidade familiar e o tributo será feito o mais rápido possível.

Nascido em Douala, Camarões, Manu Dibango passou parte de sua infância em Saint-Calais (Sarthe). Foi membro do grupo de rumba congolês African Jazz e colaborou com muitos outros músicos, incluindo Fania All Stars, Fela Kuti, Herbie Hancock, Bill Laswell, Bernie Worrell, Ladysmith Black Mambazo, Don Cherry e Sly e Robbie. Em 1998, gravou o álbum “CubAfrica” com o artista cubano Eliades Ochoa. A música com o mesmo nome nesse disco contém a letra "makossa", que significa " dança", em sua língua nativa, a língua camaronesa, Duala.

Manu Dibango influenciou vários “hits” da música popular, incluindo "Wanna Be Startin 'Somethin'", de Michael Jackson, bem como sua regravação dessa música com Akon; "Cowboys" dos Fugees e "Don't Stop the Music" de Rihanna.

A música paródia de 1982 "Boogie In Your Butt", do comediante norte-americano Eddie Murphy, interpola as linhas de baixo e sopro de Soul Makossa, enquanto "Butt Naked Booty Bless", do grupo de hip hop dos anos 90, Poor Righteous Teachers, mostra fortemente seus padrões musicais de ponte e bateria.

O saxofonista actuou como o primeiro presidente da Cameroon Music Corporation, com grande destaque em disputas sobre royalties de artistas. Dibango foi nomeado artista pela paz, em 2004, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO).

O músico esteve por inúmeras vezes em Moçambique, actuando em concertos e workshops. Em 2018, lançou o álbum conjunto, intitulado, “M & M”, com o saxofonista nacional Morreira Morreira Chonguiça. O disco foi nomeado para o South African Music Award (SAMA), na categoria de “Best African Artist Album”.