Internacional

UNESCO alerta a falta de 69 milhões de professores no mundo

2022-10-05 10:39:05 (UTC+01:00)

A UNESCO alertou, ontem, a crise global de falta de professores e sublinhou serem necessários 69 milhões de docentes em todo o mundo para dar resposta ao ensino básico universal até 2030.

Em comunicado divulgado por ocasião do Dia Mundial do Professor, celebrado na hoje, 5 de Outubro, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) apelou aos governos a intensificarem o seu apoio ao sector da educação, tendo em conta as "dificuldades" em "manter o seu pessoal e atrair novos talentos".

A maior escassez de professores, segundo a agência da ONU, verifica-se na África Subsaariana, onde há "algumas salas de aula superlotadas do mundo", os "professores mais sobrecarregados" e os sistemas de ensino "com falta de pessoal".

"A falta de formação, condições de trabalho pouco atrativas e financiamento inadequado são factores que minam a profissão e agravam a crise global de aprendizagem", afirmou a diretora-geral da organização, Audrey Azoulay, na mesma nota divulgada.

As projeções da UNESCO indicam que para alcançar a meta da educação básica universal da Agenda 2030 são necessários mais 24,4 milhões de professores para o ensino primário e mais 44,4 milhões para o nível seguinte.

Na África Subsaariana, as necessidades para o ensino primário são de 5,4 milhões de professores e o ensino secundário com 90 por cento das suas escolas a enfrentar uma grave carência de professores, 11,1 milhões.

A região com o segundo maior défice é o Sul da Ásia, onde serão necessários 1,7 milhões adicionais de professores primários e 5,3 milhões adicionais de professores do ensino complementar para atingir o objetivo.

Entre os aspetos que requerem melhorias, a UNESCO assinalou a melhoria das condições para os professores, especialmente no que diz respeito à carga de trabalho.

Nos países de baixos rendimentos, cada professor do ensino primário tem uma média de 52 alunos por turma, enquanto a média mundial é de 26.

A UNESCO também apelou para uma melhor formação dos professores e aludiu ao necessário cuidado com o ambiente onde vivem, áreas mais desfavorecidas e remotas, especialmente no caso das professoras.

A crise na profissão é também acentuada por salários não competitivos.

Os dados da UNESCO indicam que seis, em cada 10 países, pagam menos aos professores primários do que a outros profissionais com qualificações semelhantes e que o fosso é mais acentuado nas nações mais desenvolvidas.

"Apenas três países de elevados rendimentos têm uma política louvável de remuneração de professores: Singapura, com um salário médio igual a 139 por cento das profissões comparáveis, Espanha 125 por cento e Coreia do Sul 124 por cento", acrescentou a agência da ONU.