Nacional

Chissano destaca trabalho de consciência em prol da paz

2017-10-04 15:24:57 (UTC+01:00)

O antigo presidente moçambicano, Joaquim Chissano, apontou como desafio aos concidadãos, a vários níveis, a necessidade de continuar a trabalhar a consciência das pessoas, no sentido de edificar uma cultura de paz e diálogo.

MAPUTO- Chissano, um dos signatários do histórico Acordo Geral de Paz (AGP), que pôs termo, em 1992, ao sangrento conflito armado, falava na Praça dos Heróis Moçambicanos, em Maputo, local que acolheu as cerimónias centrais dos 25 anos da paz, efeméride que juntou quadros do governo, de partidos políticos, corpo diplomático entre outras individualidades.

Segundo a fonte, o povo moçambicano deve continuar a envidar esforços para manter a paz, porque 25 anos é pouco tempo, mas o desiderato é que ela (paz) dure todo o tempo sem limite e, para o efeito, as atenções devem estar concentradas na paz, com vista a criar essa cultura na maneira de viver e de estar.

"Se todo o moçambicano estiver em paz consigo próprio, quem é que vai dar uma arma ao moçambicano para matar o outro moçambicano? Ninguém", disse Chissano, apontando que ela não deve ser vista apenas a nível dos conflitos políticos, "há que acabar com as mortes nas ruas por criminosos que assassinam para roubar um celular, um relógio ou um carro".

O trabalho imensurável até aqui travado pelos moçambicanos deve, na óptica, do antigo presidente moçambicano, assegurar que esse espírito desapareça entre os moçambicanos.

Chissano, que juntamente com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, rubricou o AGP em Roma, Itália, disse, por outro lado, que a paz precisa de uma vida sã, económica e politicamente, onde cada um tem o que comer, porquanto onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, uma situação que fica pior quando todos lutam e ninguém tem razão.

O país alcançou o AGP em 1992, porém recentemente voltou a registar focos de tensão nas três regiões que gradualmente se estavam a generalizar, com sérias consequências para o crescimento socioeconómico do país.

Questionado sobre as prováveis falhas que estiveram na origem do reatamento das hostilidades depois do AGP em 1992 e mesmo depois do Acordo de Setembro de 2014, o ex-presidente apontou a forte persistência no diálogo entre Nyusi e Dhlakama como prova para a revisão de todos os detalhes e, por conseguinte, impedir um revés.

O gesto, segundo Joaquim Chissano, é prova de maturidade política que o país atingiu e disse encorajar as partes envolvidas nas consultas a seguirem em frente.