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Ex-secretário-geral adjunto da ONU diz que Moçambique é um dos países mais ricos de África

2019-07-14 07:55:06 (UTC+01:00)

O ex-secretário-geral adjunto da ONU e actual alto representante da União Africana para as parcerias com a Europa, alertou ontem que Moçambique "está a afundar-se numa dependência" dos seus recursos naturais, em vez de fazer reformas estruturais.

MAPUTO- "Moçambique não é um país que esteja a fazer reformas para transformar estruturalmente a sua economia. É antes um país que está a afundar-se mais na dependência rentista", afirmou o guineense Carlos Lopes, em entrevista a Lusa, que foi secretário-geral adjunto de Kofi Annan nas Nações Unidas.

O responsável refere-se a países rentistas como aqueles que vivem das receitas dos seus recursos naturais, sem lhes acrescentar valor ou aproveitá-los para melhorar a economia.
Para o antigo dirigente das Nações Unidas, que é também professor na Universidade Nelson Mandela, na África do Sul, Moçambique "tem riquezas extraordinárias".

"As reservas de gás do país são equivalentes à riqueza em gás de um país como o Qatar", exemplificou. Portanto, para aquele que é considerado como uma das cem pessoas mais influentes do continente africano não há a "mínima dúvida" que Moçambique é "potencialmente" um dos países mais ricos de África.

"Acho que do ponto de vista dos recursos naturais, talvez o país mais rico que Moçambique seja apenas a República Democrática do Congo. De resto, Moçambique é o país mais rico do ponto de vista dos recursos naturais conhecidos", comentou.

Por isso, "é preciso muita cautela na forma como se faz a governação dessa riqueza", avisou, justificando: "Porque se se começa a contrair dívidas ocultas antes mesmo de jorrar o que quer que seja do chão - não há ainda um metro cúbico de gás produzido e já existem dívidas relacionadas com o gás - é algo de muito preocupante".

Sobre um projecto e visão de futuro para o país, Carlos Lopes acredita que vai surgir da própria sociedade civil e está muito para além dos partidos políticos.