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Moçambique detecta caso de poliomielite após surto no Malawi

2022-05-18 14:12:30 (UTC+01:00)

Moçambique detectou o seu primeiro caso de poliovírus selvagem em três décadas, na sequência de um surto no vizinho Malawi em Fevereiro, anunciou esta quarta-feira Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo escreve a Voa, o caso foi diagnosticado numa criança na província nordeste de Tete, segundo a OMS.

"A detecção de outro caso de poliovírus selvagem em África é muito preocupante, mesmo que não seja surpreendente dado o recente surto no Malawi", disse a directora para Africa da OMS, Matshidiso Moeti.

A poliomielite é uma doença viral bastante infecciosa e contagiosa que ataca a medula espinal e causa paralisia irreversível em crianças.

Os poliovírus selvagens são vírus que ocorrem naturalmente na comunidade, e que se propagam tipicamente quando as fezes de uma pessoa infectada contaminam a água ou os alimentos.

A África foi declarada livre de poliovírus selvagem indígena em Agosto de 2020, após não ter ocorrido nenhum caso de poliomielite no continente durante os quatro anos anteriores.

No entanto, as pessoas não vacinadas continuam em risco se o vírus entrar no seu país a partir de um dos poucos locais do mundo onde a doença ainda circula.

Os testes laboratoriais da OMS revelaram que o caso de Moçambique estava ligado a uma estirpe que tinha circulado no Paquistão e que levou ao caso relatado no Malawi.

O surto no Malawi levou os países da África Austral a lançarem uma campanha de vacinação.

O Malawi e os seus quatro vizinhos imediatos - Moçambique, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué - planeiam imunizar 23 milhões de crianças com idade igual ou inferior a cinco anos. Só Moçambique espera vacinar 4,2 milhões de jovens, disse a OMS.

"Enquanto uma única criança permanecer infectada pelo poliovírus, as crianças de todos os países correm o risco de contrair a doença", afirma a agência das Nações Unidas no seu sítio web.

"O poliovírus pode ser facilmente importado para um país livre da poliomielite e pode propagar-se rapidamente entre populações não imunizadas".