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"Os problemas só podem ser resolvidos se vivermos em paz" Guebuza

2017-10-05 07:02:12 (UTC+01:00)

O antigo Presidente da República, Armando Guebuza, defendeu a importância de cimentar os alicerces da paz para garantir que as diferenças existentes entre os concidadãos sejam facilmente debatidas.

MAPUTO- Guebuza falava ontem na Praça dos Heróis Moçambicanos, em Maputo, onde participou nas actividades comemorativas dos 25 anos do Acordo Geral de Paz (AGP), assinado em Roma, na Itália, e pôs termo ao conflito armado, sangrento e brutal, que ceifou milhares de vidas humanas, destruiu o tecido socioeconómico entre outros males no país.

"Os problemas que nós temos existem e continuarão a existir, mas só podem ser resolvidos se nós vivermos em paz, aí a nossa liberdade se expande", disse Guebuza, apontando como maior problema a conversão da paz temporária numa paz para sempre, onde as diferenças entre os irmãos são debatidas sem receios.

Questionado, na ocasião, sobre o pessimismo expresso em alguns círculos de opinião quanto a recente ida do Presidente da República, Filipe Nyusi, à serra de Gorongosa, província central de Sofala, onde se encontrou o rival político, Afonso Dhlakama, líder da Renamo, o ex-presidente disse ser completamente errado negar o bem de que desfrutam hoje os moçambicanos.

A trégua, prorrogada por tempo indeterminado, é fruto dos contactos entre o Chefe de Estado e o líder da Renamo, e a deslocação à Gorongosa é, na óptica de Guebuza, mais uma etapa no processo que vai culminar com a paz efectiva e duradoira.

Guebuza, figura de proa no processo negocial que se saldou no Acordo Geral de Paz, lembrou que 1992 houve uma trégua mas em corredores devidamente localizados, porém desta vez foi em todo o território nacional, uma conquista positiva que não deve ser subestimada.

"Deixemos os críticos que não sei se eles são patriotas, se estão preocupados com o bem-estar dos seus tios em casa, dos seus primos, com as pessoas que viajam pelo país; da mesma maneira que a esmagadora maioria do povo moçambicano está preocupada", sublinhou o ex-presidente.

Segundo Guebuza, os aspectos críticos devem ser deixados de fora até porque, muitas das vezes, vem de fora do país e não dos moçambicanos, mas quando há mortes são as vidas dos concidadãos que se perdem.

Em relação as consultas entre Nyusi e Dhlakama, considera naturais as falhas no entendimento até aqui alcançado, porém acredita que todos têm consciência da sua importância, e o espelho disso é a liberdade de movimentação, pelo território nacional, e todos os esforços feitos para o alcance desse entendimento têm de ser estimulados.