Nacional

"Que a Renamo não atrase o processo com novas exigências" Nyusi

2018-03-24 06:58:19 (UTC+00:00)

O Presidente da FRelimo, Filipe Nyusi, apelou ontem à Renamo, principal partido da oposição, para evitar novas exigências na proposta de descentralização do país, assinalando que a busca de uma paz duradoura exige coragem e paciência.

MAPUTO- "A expetativa de todos os moçambicanos é que a Renamo não atrase o processo com novas exigências", afirmou Filipe Nyusi, falando na abertura da II Sessão Ordinária do Comité Central (CC) da Frelimo, que se iniciou esta sexta-feira na cidade da Matola.

Falando na qualidade de presidente da Frelimo, Filipe Nyusi afirmou que, caso a Renamo leve à Assembleia da República novos elementos em torno da proposta de revisão pontual da Constituição, estará a violar os consensos que alcançou com o líder do partido, Afonso Dhlakama.

"O modelo de descentralização ora em apreciação na Assembleia da República pode não ser o mais perfeito, mas é resultado de profundas reflexões e debates", destacou.

Filipe Nyusi exortou os membros da Frelimo a aceitarem o novo quadro de descentralização, que vai resultar da alteração pontual da Constituição.

O Presidente da Frelimo sublinhou que o processo deve desenrolar-se em paralelo com a desmilitarização do braço armado da Renamo, como garantia de uma paz definitiva.

"Gostaria de frisar que o pacote de descentralização e a questão da desmilitarização, desmobilização e reintegração (do braço armado da Renamo) são duas componentes indissociáveis", acrescentou.

A desmobilização, prosseguiu, deve caminhar no mesmo ritmo e na mesma direção, visando o alcance de uma estabilidade definitiva.

"O diálogo sobre a paz tem exigido muita paciência, pragmatismo e tolerância, por vezes classificada como tolerância e confiança excessiva", frisou Filipe Nyusi.

As três bancadas e as comissões de trabalho do parlamento estão a analisar uma proposta de revisão pontual da Constituição da República que prevê o aprofundamento da descentralização do país, como parte das negociações de paz entre Governo e Renamo.

O documento, apresentado pelo Presidente da República, prevê que os governadores provinciais (em 2019) e administradores distritais (em 2024) deixem de ser nomeados pelo poder central para passarem a ser eleitos pelo partido mais votado nas respectivas assembleias.

Está também previsto que os presidentes dos concelhos municipais passem a ser eleitos desta forma, a partir das listas para as assembleias municipais, já a partir de Outubro, em vez de haver uma votação autónoma para candidatos à presidência.