Nacional

Ruandeses pedem investigação a homicídio de refugiado em Moçambique

2021-09-23 07:31:06 (UTC+01:00)

O presidente da Associação dos Ruandeses Refugiados em Moçambique pediu ontem a criação de uma comissão independente para investigação do homicídio a tiro de um conterrâneo na cidade da Matola, província de Maputo.

"O que nós estamos a pedir é que haja uma comissão independente para investigar este caso e tenho a certeza de que haverá resultados", disse à Lusa Cleophas Habiyareme.

O empresário ruandês da área do comércio, Revocat Karemangingo, a residir em Moçambique desde 1996 - onde se refugiou após o genocídio no Ruanda em 1994 -, foi morto a tiro perto de casa quando voltava de automóvel, sozinho, de um dos seus armazéns de venda de refrigerante e cervejas, segundo a Polícia da República de Moçambique (PRM).

Revocat terá sido intercetado no dia 13, às 17:30, por duas viaturas, que o bloquearam, a partir das quais desconhecidos fizeram vários disparos.

O presidente da associação dos ruandeses quer que a mesma comissão independente investigue também o desaparecimento, em maio, do jornalista Ntamuhanga Cassien que residia na ilha de Inhaca, em Maputo, bem como uma tentativa de rapto do secretário da associação.

Cleophas Habiyareme questiona o facto de a comunidade ruandesa ser a "única" que passa por esse tipo de problemas e, por isso, pede que o Governo moçambicano "pense sobre isso".

"Tratam-se de três casos que ocorreram dentro da mesma comunidade. Aqui temos quatro grandes comunidades de refugiados, entre ruandeses, burundeses, congoleses e somalianos, mas a única que está a passar mal, que sofre sequestros, desaparecimento, morte, é a comunidade ruandesa", disse, indignado, à Lusa o presidente da associação.