Nacional

Sero-prevalência de HIV-SIDA reduz em quase 1 por cento

2022-12-02 09:09:21 (UTC+00:00)

Reduziu de 13,2 para 12,4 por cento a taxa de sero-prevalência de HIV/SIDA no país, entre 2015 e 2021, segundo o Ministério da Saúde (MISAU).
Entretanto, a instituição diz que o estigma e a discriminação ainda comprometem o tratamento da doença e o acesso aos cuidados de saúde.

O mundo assinalou, esta quinta-feira, o Dia Mundial da Luta contra o HIV-SIDA. Falando nas cerimónias centrais do lançamento do “Dezembro Vermelho”, o ministro da Saúde, Armindo Tiago, fez saber que as taxas de incidência e prevalência do HIV permanecem elevadas no país.

“Os resultados do Inquérito de Avaliação do Impacto do HIV-SIDA 2021, também designado INSIDA, mostram que a prevalência do HIV em adultos dos 15 aos 49 anos teve uma redução, embora não significativa". Disse, também, que as mulheres são as mais vulneráveis, pois “15 por cento das mulheres com idade igual ou superior a 15 anos estão infectadas pelo HIV, contra os homens da mesma faixa, em que a taxa de prevalência é de 9,5 por cento. As mulheres estão desproporcionalmente afectadas em relação aos homens, facto que resulta do triste impacto das desigualdades que enfrentamos”, disse Armindo Tiago, ministro da Saúde.

A província de Gaza é a que apresenta o maior número de prevalência do HIV, com 20,9 por cento; Zambézia, com 17,1 e a Cidade de Maputo, com 16,2 por cento.

Nas províncias de Manica e Maputo, as taxas de prevalência do HIV reduziram entre 2015 e 2021, passando de 13,5 para 5,1 e de 22,9 para 12,4 por cento, respectivamente.

O INSIDA 2021 estima que, anualmente, 4,8 novas infecções ocorrem entre 1000 pessoas de 15 a 49 anos de idade.

Apesar do aumento da cobertura do tratamento anti-retroviral, para mais de 96 por cento das unidades sanitárias, segundo a representante da Rede de Pessoas Vivendo com HIV, Alda Bripa, o estigma e a discriminação continuam a barrar o acesso aos cuidados de saúde.

“Queremos reforçar a mensagem e a dar ênfase para a igualdade de direitos para o acesso aos serviços de cuidados e tratamento. Se vencêssemos o estigma e a discriminação, teríamos menos número de pessoas a contraírem o HIV e cada vez mais pacientes a aderirem ao tratamento TARV)”, apelou Bripa.

Em 2021, entre as pessoas vivendo com o HIV do grupo etário de 15 a 49 anos de idade, correspondente a 70,1 por cento, conheciam o seu estado serológico, dos quais 96,4 encontravam-se a receber tratamento anti-retroviral e, destes, 88 mantinham a carga viral suprimida.

Ainda assim, o ministro da Saúde reitera que a incidência do HIV continua elevada, o que exige a adopção de algumas medidas para, até 2030, acabar com a epidemia do HIV como ameaça de saúde pública.

“Temos que expandir as acções corajosas e efectivas para a eliminação do estigma e da discriminação na nossa sociedade, para facilitar o acesso aos serviços; devemos reforçar o diagnóstico e tratamento do HIV nas crianças; temos que melhorar a coordenação da resposta nacional ao HIV/SIDA e reforçar a responsabilidade de todos os sectores e actores.”

Na área de prevenção primária do HIV, o MISAU destacou a intensificação de intervenções para reduzir as barreiras sociais, estruturais e legais que interferem na resposta à epidemia, o que contribuiu para que, nos últimos dez anos, mais de 10 milhões de testes fossem feitos anualmente.

“Em relação à abordagem de auto-testagem, fizemos, recentemente, a expansão nacional. O auto-teste cria demanda e permite alcançar as populações que normalmente não usam os serviços de testagem disponíveis (adolescentes e jovens, homens e as populações-chave).”

Os resultados foram apresentados, esta quinta-feira, no âmbito do Dia Mundial contra o SIDA, que se assinalou esta quinta-feira, sob o lema “Alcançar a Igualdade na Resposta ao HIV/SIDA”.