Vida e Lazer

Elefante “Madala” em Maputo para assinalar sete anos sem caça furtiva na Reserva do Niassa

2024-07-08 13:40:43 (UTC+01:00)

Uma obra de arte de um elefante de tamanho real está exposta, no quintal do Centro Cultural Franco-Moçambicano, centro da cidade, em Maputo, para assinalar o sétimo ano sem caça furtiva na Reserva de Niassa.

“Este elefante é a combinação de uma história muito triste da Reserva de Niassa (…) Ao mesmo tempo, esta é a celebração de sete anos sem caça furtiva”, refere a bióloga colombiana Paula Ferro, uma das pessoas responsáveis pela iniciativa.

A obra, designada “Madala”, que significa velho na língua moçambicana xichangana, é suportada por uma estrutura metálica feita com base em material de caçadores furtivos apreendido durante mais de 25 anos, incluindo armas de fogo e munições.

“As orelhas são feitas com os painéis de garimparia ilegal (…) Temos as catanas que são utilizadas para o corte das pontas do elefante, temos armas, munições, pedaços de madeira e até sapatos dos caçadores furtivos”, diz a bióloga, que se dedica a projectos de conservação há 18 anos, na maior área de conservação moçambicana.

A estrutura metálica, feita por cinco residentes formados pelo escultor francês Jules Pennel, é acompanhada por uma pele de "crochet", resultado do trabalho de cerca de 30 mulheres que vivem na reserva, formadas no âmbito do projeto “Yao Crochet”, iniciativa da bióloga colombiana para apoiar as comunidades locais, sobretudo mulheres.

A arte estará exposta no Centro Cultural Franco-Moçambicano até 03 de Outubro, concebida por Derek Littleton, diretor da Fundação Lugenda, uma organização que apoia as comunidades que vivem na reserva ou nos arredores.

Estabelecida em 1960, a Reserva Espacial de Niassa, localizada no norte do país, é a maior área protegida de Moçambique, com uma extensão de 42 mil 400 quilómetros quadrados, albergando o maior número de elefantes que existe em Moçambique.

De acordo com dados oficiais, com a crescente procura de marfim, sobretudo em 2008, o número de elefantes na reserva reduziu-se de 14 mil para menos de 4 mil, entre 2009 e 2018.

Para travar a redução, o Governo moçambicano e parceiros de cooperação têm desenvolvido estratégias para travar a acção de caçadores furtivos, assinalando-se, este ano, sete anos sem registo de qualquer incidente.